domingo, 4 de outubro de 2009

INSPIRADOS PELO AUTISMO - CONHEÇA ESTE SITE EXCELENTE - WORKSHOPS NO RIO DE JANEIRO E SAO PAULO. NAO PERCAM


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http://www.inspiradospeloautismo.com.br/

Workshop da Inspirados pelo Autismo - Nível 1
Inscreva-se agora
A Aprendizagem Social Através da Interação Prazerosa
20, 21 e 22 de novembro de 2009 (sexta, sábado e domingo)
Rio de JaneiroInscrições limitadas a 120 pessoas


Workshop Nível 1
A Aprendizagem Social Através da Interação Prazerosa - Um Workshop de 3 dias
Datas: 20, 21 e 22 de novembro de 2009 (sexta, sábado e domingo) Local: Botafogo, Rio de Janeiro
Horário: 9:00 às 17:30
Inscrições limitadas a 120 pessoas
Um dinâmico workshop para grupos de pais e profissionais com duração de 3 dias para o aprendizado dos princípios fundamentais de uma abordagem educacional relacional e responsiva (baseada nos princípios do Programa Son-Rise®) para promover o desenvolvimento social, emocional e cognitivo de crianças e adultos com autismo. Serão oferecidas instruções específicas para auxiliar os pais e profissionais na implementação de um programa educacional para crianças e adultos com autismo.
Inscrições abertas até o dia 6 de novembro de 2009 (sexta-feira).

PROGRAMAÇÃO DO CURSO

A PERSPECTIVA DE ACEITAÇÃO, APRECIAÇÃO E ENTUSIASMO
◦ A História do Programa Son-Rise®
◦ A Participação dos Pais
◦ Acreditando na Possibilidade de Desenvolvimento da Criança
◦ Uma Atitude Positiva e Ativa
◦ Aceitando e Apreciando a Criança
◦ Querer com Liberdade

CONHECENDO A CRIANÇA COM AUTISMO

◦ Introdução ao Filtro Perceptivo e Processamento Sensorial
◦ A Necessidade da Criança Se Sentir em Controle
◦ O Isolamento e os Comportamentos Repetitivos

OTIMIZANDO O AMBIENTE DE APRENDIZAGEM
◦ Minimizando as Distrações
◦ Dando o Controle à Criança
◦ O Ambiente Físico – O Quarto de Brincar

A IMPORTÂNCIA DA INTERAÇÃO SOCIAL
◦ O Trajeto de Desenvolvimento
◦ As Quatro Grandes Áreas de Foco do Programa Son-Rise
◦ Uma Abordagem Lúdica e de Valorização da Relação com a Criança
◦ O Ambiente Social – O Estilo de Interação Responsivo
◦ Celebrando a sua Criança

OS ESTADOS DE DISPONIBILIDADE DA CRIANÇA PARA INTERAÇÃO

◦ Os Estados de Disponibilidade – Criança Isolada, Interessada e Altamente Conectada
◦ Flexibilidade e Rigidez

O FORTALECIMENTO DO VÍNCULO ATRAVÉS DA ACEITAÇÃO – JUNTANDO-SE À CRIANÇA
◦ Juntando-se ao Mundo da Criança
◦ As Razões para se Juntar à Atividade de sua Criança
◦ Conhecendo as Motivações de sua Criança

O CONVITE À INTERAÇÃO

◦ Sinais Verdes para a Interação
◦ Construindo a Interação – Oferecendo uma Ação Motivadora
◦ Criando e Prolongando o Intervalo de Atenção Compartilhada
◦ O Pensamento Criativo

ENCORAJANDO O DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES SOCIAIS
◦ A Criança Motivada por uma Ação do Facilitador
◦ Solicitações Durante a Atividade – O Papel da Criança na Atividade
◦ O Equilíbrio entre a Construção e a Solicitação, entre Dar e Pedir Algo
◦ Aumentando o Nível de Dificuldade da Solicitação
◦ A Dinâmica da Sessão
◦ Elaborando Atividades que Utilizam Interesses da Criança para Auxiliá-la a Alcançar Metas Educacionais – Brincando e Aprendendo

O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM
◦ Os Estágios de Desenvolvimento da Linguagem
◦ Inspirando o Desenvolvimento da Linguagem
◦ O Choro como Comunicação

LIDANDO COM OS COMPORTAMENTOS INDESEJADOS
◦ Razões para a Criança Apresentar Comportamentos Indesejados
◦ As Estratégias de Resposta aos Comportamentos Indesejados
◦ Situações em que Limites São Oferecidos

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Será oferecido material de apoio por escrito, o qual poderá ser levado para casa.

"O workshop foi infinitamente superior às nossas expectativas. Eu não imaginava o quanto este workshop iria mudar os nossos conceitos sobre o autismo."
Marlus (médico e pai) e Kelly, (mãe de Bruno, 6)


Ministrante
Mariana Tolezani
Diretora da Inspirados pelo Autismo e Facilitadora do Programa Son-Rise, certificada em 2006 pelo The Autism Treatment Center of America em Massachusetts, nos EUA. Mais de 9 anos de experiência no trabalho com crianças e adultos com necessidades de aprendizado especiais. De origem brasileira, trabalhou com centenas de crianças e adultos de diversos países, como EUA e países da Europa, Ásia, África e América do Sul.


"O workshop foi maravilhoso! Respondeu a todas as minhas questões. Eu estou muito animada para fazer o Son-Rise com o Leonardo, tenho certeza de que ele responderá muito bem ao programa."
Monica (mãe de Leonardo, 11)


Local
Centro Empresarial Rio
Edifício Argentina
Praia de Botafogo, 228 | 2º andar - Botafogo
Rio de Janeiro/RJ
22250-906
Tel/Fax: (21) 2554-8182
(visualizar o local)
Sugestões de hospedagem

Horário do Workshop
6a feira
08:30 às 09:00 cadastro e orientação
09:00 às 10:30 aula
10:30 às 11:00 intervalo (coffee break)
11:00 às 12:30 aula
12:30 às 14:00 almoço
14:00 às 15:30 aula
15:30 às 16:00 intervalo (coffee break)
16:00 às 17:30 aula

Sábado e Domingo
09:00 às 10:30 aula
10:30 às 11:00 intervalo (coffee break)
11:00 às 12:30 aula
12:30 às 14:00 almoço
14:00 às 15:30 aula
15:30 às 16:00 intervalo (coffee break)
16:00 às 17:30 aula

Valor de Inscrição
R$600,00 por participante

Descontos
40% de desconto para o cônjuge na opção “pacote casal”
(identificação será exigida no dia: RGs e certidão de casamento ou certidão de nascimento da criança)

Com o objetivo de facilitar o pagamento da inscrição por parte dos participantes, disponibilizamos as seguintes formas de pagamento através de PagSeguro, um serviço da UOL para a realização de pagamentos seguros através da internet:
Pagamento à vista através de transferência bancária, boleto ou cartão de crédito.
Pagamento parcelado no cartão (6 tipos de cartão) em até 15 vezes. Para as opções de pagamentos parcelados, o PagSeguro cobra 1,99% de juros ao mês. Após preencher os dados cadastrais para o PagSeguro, você digita os dados de seu cartão de crédito e escolhe o número de parcelas desejado.
FAÇA SUA INSCRIÇÃO

Observações:
As inscrições estão abertas apenas para adultos (e para adolescentes irmãos de pessoas com autismo). As crianças e adultos com autismo não participarão deste evento, o qual tem como objetivo instruir familiares e profissionais ligados ao autismo para que eles aprendam a aplicar a metodologia do Programa Son-Rise.
Os cafezinhos (coffee breaks) da manhã e da tarde estão incluídos no custo da inscrição, já as refeições são por conta de cada participante.

Clique Aqui para ver a Política de Cancelamento ou Desistência do Curso
Clique Aqui para saber mais sobre a Arrecadação de Recursos.



Workshop Nível 2
Desenvolvendo um Programa de Aprendizagem Social - Um Workshop de 3 dias
Com participação especial de Sean Fitzgerald, Professor Certificado do Programa Son-Rise®
Datas: 4, 5 e 6 de dezembro de 2009 (sexta, sábado e domingo)
Local: Campo Belo, São Paulo
Horário: 9:00 às 17:30

Inscrições limitadas a 150 pessoas
Um dinâmico workshop com duração de 3 dias para grupos de pais e profissionais que desejam dar continuidade ao aprendizado dos princípios e técnicas práticas de uma abordagem educacional, relacional e responsiva (baseada nos princípios do Programa Son-Rise®) para promover o desenvolvimento social, emocional e cognitivo de crianças e adultos com autismo.

Pré-requisitos: Participação em um Workshop da Inspirados pelo Autismo Nível 1 ou suporte personalizado através de consultas telefônicas/atendimentos domiciliares da Inspirados pelo Autismo.
Inscrições abertas até o dia 24 de novembro de 2009 (terça-feira).

Programação do Curso

Observação e Feedback de Vídeos dos Participantes
Cada família ou profissional participante poderá enviar 1 vídeo com uma sessão de Son-Rise® com sua criança, e ALGUNS* destes vídeos serão observados e discutidos como exemplos durante o curso. Isto dará a oportunidade de se discutir sessões reais e receber orientação quanto ao aperfeiçoamento de cada programa.

Criação de Atividades Educacionais
Você poderá aprender mais sobre como criar e iniciar atividades e brincadeiras que utilizem os interesses da criança/adulto com autismo e que introduzam de forma divertida as metas educacionais individuais. Exercícios práticos para o desenvolvimento da criatividade serão oferecidos.

O Desenvolvimento da Comunicação
Estratégias para auxiliar continuamente o desenvolvimento da comunicação em seus diferentes estágios.

Comportamentos Indesejados
Os participantes poderão compartilhar com o grupo suas experiências com comportamentos indesejados apresentados pelas crianças e adultos com autismo. Orientação será oferecida sobre como lidar com estes comportamentos.

O Recrutamento e Treinamento de Voluntários
Dicas de como recrutar pessoas para auxiliar a família no desenvolvimento do programa domiciliar. Você aprenderá como observar as sessões com sua criança e como oferecer o feedback sobre a sessão para os voluntários.

A Escola e o Programa Son-Rise®
Como fazer a transição e integração entre um programa domiciliar e o ambiente escolar.

Revisão dos Princípios do Programa Son-Rise
®
A importância de uma atitude responsiva e da criação do vínculo através da aceitação serão enfatizadas. Tópicos como “juntar-se”, “celebrar” e “dar controle” para a pessoa com autismo serão aprofundados aqui diante da troca de experiências práticas vivenciadas pelos participantes durante a implantação de seus programas.

Avaliação Social
Como fazer o registro das sessões e como utilizar o Modelo de Desenvolvimento do Programa Son-Rise® para avaliar as habilidades sociais de sua criança.

Sessão de Perguntas e Respostas

*Envio de vídeos para o Workshop Nível 2
Os participantes inscritos no Workshop Nível 2 poderão enviar um vídeo de até 5 minutos contendo um trecho de uma sessão do Programa Son-Rise® com uma criança ou adulto com autismo até o prazo máximo de 13 de novembro de 2009 (6ª feira). Clique aqui para mais informações sobre como enviar o seu vídeo.

O curso será dado em inglês e traduzido simultaneamente para o português. Nós nos encarregaremos de providenciar todo o equipamento de tradução necessário.

"O conteúdo do workshop foi excelente porque vocês foram fundo no cerne do problema, a interação social com a família, e enfatizaram a qualidade desta interação tocando em questões difíceis como a aceitação, contestando conceitos, ou melhor, pré-conceitos... Não é errado ser uma pessoa com autismo, é diferente, é difícil."
Gustavo (jornalista e pai de Vinícius, 5)


Ministrantes
Sean Fitzgerald
Professor Certificado do Programa Son-Rise com 12 anos de experiência no Programa Son-Rise. Trabalhou diretamente com famílias da América do Norte, Europa, Ásia, Oriente Médio e Austrália, além de ter apresentado diversos cursos do método para grupos de pais e profissionais.

Mariana Tolezani
Diretora da Inspirados pelo Autismo e Facilitadora Certificada do Programa Son-Rise em 2006, formada pelo The Autism Treatment Center of America em Massachusetts, nos EUA. Mais de 9 anos de experiência no trabalho com crianças e adultos com necessidades de aprendizado especiais. De origem brasileira, trabalhou com centenas de crianças e adultos de diversos países, como EUA e países da Europa, Ásia, África e América do Sul.


Sean Fitzgerald e Mariana Tolezani completaram suas certificações no The Autism Treatment Center of America™ em cursos oferecidos pelos criadores do Programa Son-Rise, Barry e Samahria Kaufman, e sua equipe de profissionais.

"Foi uma oportunidade para adquirir mais conhecimento, ter uma nova compreensão em relação ao autismo, e compartilhar experiências. Eu aprendi agora que há muitas possibilidades para o meu filho."
Claudia (contadora, mãe de Pedro, 3)


Local
Espaço ABM - Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração
Rua Antonio Comparato, 218 - Campo Belo
São Paulo/SP - CEP 04605-030
(visualizar o local)
Sugestões de hospedagem

Horário do Workshop
6a feira
08:30 às 09:00 cadastro e orientação
09:00 às 10:30 aula
10:30 às 11:00 intervalo (coffee break)
11:00 às 12:30 aula
12:30 às 14:00 almoço
14:00 às 15:30 aula
15:30 às 16:00 intervalo (coffee break)
16:00 às 17:30 aula

Sábado e Domingo
09:00 às 10:30 aula
10:30 às 11:00 intervalo (coffee break)
11:00 às 12:30 aula
12:30 às 14:00 almoço
14:00 às 15:30 aula
15:30 às 16:00 intervalo (coffee break)
16:00 às 17:30 aula

Valor de Inscrição
R$750,00 por participante

Descontos
40% de desconto para o cônjuge na opção “pacote casal”
(identificação será exigida no dia: RGs e certidão de casamento ou certidão de nascimento da criança)

Com o objetivo de facilitar o pagamento da inscrição por parte dos participantes, disponibilizamos as seguintes formas de pagamento através de PagSeguro, um serviço da UOL para a realização de pagamentos seguros através da internet:
Pagamento à vista através de transferência bancária, boleto ou cartão de crédito.
Pagamento parcelado no cartão (6 tipos de cartão) em até 15 vezes. Para as opções de pagamentos parcelados, o PagSeguro cobra 1,99% de juros ao mês. Após preencher os dados cadastrais para o PagSeguro, você digita os dados de seu cartão de crédito e escolhe o número de parcelas desejado.
FAÇA SUA INSCRIÇÃO
Inscrições abertas até o dia 24 de novembro de 2009 (terça-feira).

Clique Aqui para saber mais sobre a Arrecadação de Recursos.
Clique Aqui para ver a Política de Cancelamento ou Desistência do Curso

Observações:
As inscrições estão abertas apenas para adultos (e para adolescentes irmãos de pessoas com autismo). As crianças e adultos com autismo não participarão deste evento, o qual tem como objetivo instruir familiares e profissionais ligados ao autismo para que eles aprendam a aplicar a metodologia do Programa Son-Rise.
Os cafezinhos (coffee breaks) da manhã e da tarde estão incluídos no custo da inscrição, já as refeições são por conta de cada participante.
A Inspirados pelo Autismo se reserva o direito de cancelar a programação de cursos, em até 7 (sete) dias úteis antes da data prevista para cada workshop, caso o número mínimo de inscritos não seja atingido. Nesse caso, a Inspirados pelo Autismo será responsável por restituir integralmente os pagamentos efetuados pelos inscritos.

Veja o Workshop da Inspirados pelo Autismo Nível 1
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Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral - ARTIGO SCIELO



VEJAM MAIS SOBRE Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral - ARTIGO SCIELO EM : http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-44462006000500002&script=sci_arttext

Ami Klin

Yale Child Study Center, Yale University School of Medicine, New Haven, Connecticut, USA

Correspondência






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RESUMO

Autismo e síndrome de Asperger são entidades diagnósticas em uma família de transtornos de neurodesenvolvimento nos quais ocorre uma ruptura nos processos fundamentais de socialização, comunicação e aprendizado. Esses transtornos são coletivamente conhecidos como transtornos invasivos de desenvolvimento. Esse grupo de condições está entre os transtornos de desenvolvimento mais comuns, afetando aproximadamente 1 em cada 200 indivíduos. Eles estão também entre os com maior carga genética entre os transtornos de desenvolvimento, com riscos de recorrência entre familiares da ordem de 2 a 15% se for adotada uma definição mais ampla de critério diagnóstico. Seu início precoce, perfil sintomático e cronicidade envolvem mecanismos biológicos fundamentais relacionados à adaptação social. Avanços em sua compreensão estão conduzindo a uma nova perspectiva da neurociência ao estudar os processos típicos de socialização e das interrupções específicas deles advindas. Esses processos podem levar à emergência de fenótipos altamente heterogêneos associados ao autismo, o paradigmático transtorno invasivo de desenvolvimento e suas variantes. Esta revisão foca o histórico, a nosologia e as características clínicas e associadas aos dois transtornos invasivos de desenvolvimento mais conhecidos – o autismo e a síndrome de Asperger.

Descritores: Autismo/terapia; Síndrome de Asperger/terapia; Psicofarmacologia/efeito de drogas; Desenvolvimento infantil/efeito de drogas; Gerenciamento da doença


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Introdução

O autismo e a síndrome de Asperger são os mais conhecidos entre os transtornos invasivos do desenvolvimento (TID), uma família de condições marcada pelo início precoce de atrasos e desvios no desenvolvimento das habilidades sociais, comunicativas e demais habilidades. Na quarta edição revisada do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV-TR), a categoria TID inclui condições que estão invariavelmente associadas ao retardo mental (síndrome de Rett e transtorno desintegrativo da infância), condições que podem ou não estar associados ao retardo mental (autismo e TID sem outra especificação ou TID-SOE) e uma condição que é tipicamente associada à inteligência normal (síndrome de Asperger). Os TIDs estão entre os transtornos de desenvolvimento mais comuns. Referem-se a uma família de condições caracterizadas por uma grande variabilidade de apresentações clínicas. Podem variar tanto em relação ao perfil da sintomatologia quanto ao grau de acometimento, mas são agrupados por apresentarem em comum uma interrupção precoce dos processos de sociabilização. São, por natureza, transtornos do neurodesenvolvimento que acometem mecanismos cerebrais de sociabilidade básicos e precoces. Consequentemente, ocorre uma interrupção dos processos normais de desenvolvimento social, cognitivo e da comunicação. A consciência de que as manifestações comportamentais são heterogêneas e de que há diferentes graus de acometimento, e provavelmente múltiplos fatores etiológicos, deram origem ao termo transtornos do espectro do autismo que, como o termo TID, refere-se a várias condições distintas (autismo, síndrome de Asperger e TID-SOE), mas que, ao contrário do termo TID, refere-se a uma possível natureza dimensional que interconecta diversas condições mais do que a fronteiras claramente definidas em torno de rótulos diagnósticos. Este conceito de natureza dimensional apóia-se no fato de que o autismo e transtornos relacionados são os transtornos do desenvolvimento mais fortemente associados a fatores genéticos, e no fato de que podem ser encontradas vulnerabilidade e rigidez social em familiares desses pacientes, mesmo que esses familiares não preencham critérios para um diagnóstico clínico. Refere-se, muitas vezes, a esses familiares como portadores do "fenótipo mais amplo de autismo".1-2

Esta revisão foca o paradigma dos TID (o autismo), bem como uma variante próxima (a síndrome de Asperger). Enquanto a validade do diagnóstico de autismo é inquestionável, o status de validade da síndrome de Asperger (SA) ainda é controverso, mesmo 12 anos após sua formalização no DSM-IV. A controvérsia é relacionada principalmente ao fato deste diagnóstico ser confundido com o de autismo não acompanhado de retardo mental, ou autismo com "alto grau de funcionamento" (AAGF). Nós iremos enfatizar a descrição de casos prototípicos dessas condições. No entanto, as discussões científicas atuais nessa área tendem a focar sua atenção nos potenciais mediadores da expressão clínica da síndrome (i.e. fatores preditores de diferentes apresentações fenotípicas) e não nas questões do diagnóstico diferencial (i.e. na questão se o AAGF e SA são a mesma entidade diagnóstica ou não). Uma boa dose de confusão ainda cerca o uso do termo síndrome de Asperger ou transtorno de Asperger, sendo que não há quase nenhum consenso entre a comunidade de pesquisadores clínicos.3 A ênfase desta revisão não está nas pesquisas voltadas a uma ou outra forma específica de separar SA e AAGF. Ao contrário, enfatiza as necessidades e os desafios típicos enfrentados pelos indivíduos com essas condições, independentemente do rótulo específico a eles atribuído.



Autismo

O autismo, também conhecido como transtorno autistico, autismo da infância, autismo infantil e autismo infantil precoce, é o TID mais conhecido. Nessa condição, existe um marcado e permanente prejuízo na interação social, alterações da comunicação e padrões limitados ou estereotipados de comportamentos e interesses. As anormalidades no funcionamento em cada uma dessas áreas devem estar presentes em torno dos três anos de idade. Aproximadamente 60 a 70% dos indivíduos com autismo funcionam na faixa do retardo mental, ainda que esse percentual esteja encolhendo em estudos mais recentes. Essa mudança provavelmente reflete uma maior percepção sobre as manifestações do autismo com alto grau de funcionamento, o que, por sua vez, parece conduzir a que um maior número de indivíduos seja diagnosticado com essa condição.4

1. Histórico e nosologia

Em 1943, Leo Kanner descreveu, pela primeira vez, 11 casos do que denominou distúrbios autísticos do contato afetivo.5 Nesses 11 primeiros casos, havia uma "incapacidade de relacionar-se" de formas usuais com as pessoas desde o início da vida. Kanner também observou respostas incomuns ao ambiente, que incluíam maneirismos motores estereotipados, resistência à mudança ou insistência na monotonia, bem como aspectos não-usuais das habilidades de comunicação da criança, tais como a inversão dos pronomes e a tendência ao eco na linguagem (ecolalia). Kanner foi cuidadoso ao fornecer um contexto de desenvolvimento para suas observações. Ele enfatizou a predominância dos déficits de relacionamento social, assim como dos comportamentos incomuns na definição da condição. Durante os anos 50 e 60 do século passado, houve muita confusão sobre a natureza do autismo e sua etiologia, e a crença mais comum era a de que o autismo era causado por pais não emocionalmente responsivos a seus filhos (a hipótese da "mãe geladeira"). Na maior parte do mundo, tais noções foram abandonadas, ainda que possam ser encontradas em partes da Europa e da América Latina. No início dos anos 60, um crescente corpo de evidências começou a acumular-se, sugerindo que o autismo era um transtorno cerebral presente desde a infância e encontrado em todos os países e grupos socioeconômicos e étnico-raciais investigados. Um marco na classificação desse transtorno ocorreu em 1978, quando Michael Rutter propôs uma definição do autismo com base em quatro critérios: 1) atraso e desvio sociais não só como função de retardo mental; 2) problemas de comunicação, novamente, não só em função de retardo mental associado; 3) comportamentos incomuns, tais como movimentos estereotipados e maneirismos; e 4) início antes dos 30 meses de idade.6

A definição de Rutter e o crescente corpo de trabalhos sobre o autismo influenciaram a definição desta condição no DSM-III, em 1980, quando o autismo pela primeira vez foi reconhecido e colocado em uma nova classe de transtornos, a saber: os transtornos invasivos do desenvolvimento (TIDs). O termo TID foi escolhido para refletir o fato de que múltiplas áreas de funcionamento são afetadas no autismo e nas condições a ele relacionadas. Na época do DSM-III-R, o termo TID ganhou raízes, levando à sua adoção também na décima revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). Para o DSM-IV, os novos critérios potenciais para o autismo, bem como as várias condições candidatas a serem incluídas na categoria TID, foram avaliados em um estudo internacional, multicêntrico, que incluiu mais de 1.000 casos avaliados por mais de 100 avaliadores clínicos.7 Os sistemas de classificação do DSM-IV e da CID-10 foram tornados equivalentes para evitar uma possível confusão entre pesquisadores clínicos que trabalham em diferentes partes do mundo guiados por um ou por outro sistema nosológico. A definição dos critérios foi decidida com base em dados empíricos revelados em trabalho de campo. A confiabilidade entre os avaliadores foi medida para o autismo e condições relacionadas, indicando, em geral, um acordo de bom a ótimo, principalmente entre os clínicos experientes. O DSM-IV-TR vem acompanhado de textos atualizados sobre autismo, síndrome de Asperger e outros TIDs, mas os critérios diagnósticos permanecem os mesmos que os do DSM-IV.

2. Epidemiologia

O primeiro estudo epidemiológico sobre o autismo foi realizado por Victor Lotter, em 1966. Nesse estudo, ele relatou um índice de prevalência de 4,5 em 10.000 crianças em toda a população de crianças de 8 a 10 anos de Middlesex, um condado ao noroeste de Londres. Desde então, mais de 20 estudos epidemiológicos foram relatados na literatura e milhões de crianças foram pesquisadas pelo mundo todo. Os índices de prevalência resultantes, particularmente nos estudos mais recentes, apontam para um índice conservador de um indivíduo com autismo (prototípico) em cada 1.000 nascimentos; cerca de mais quatro indivíduos com transtorno do espectro do autismo (e.g., síndrome de Asperger, TID-SOE) a cada 1.000 nascimentos; e índices muito menores para a síndrome de Rett e menores ainda para o transtorno desintegrativo infantil. As possíveis razões para o grande aumento na prevalência estimada do autismo e das condições relacionadas são: 1) a adoção de definições mais amplas de autismo (como resultado do reconhecimento do autismo como um espectro de condições); 2) maior conscientização entre os clínicos e na comunidade mais ampla sobre as diferentes manifestações de autismo (e.g., graças à cobertura mais freqüente da mídia); 3) melhor detecção de casos sem retardo mental (e.g., maior conscientização sobre o AAGF e a SA); 4) o incentivo para que se determine um diagnóstico devido a elegibilidade para os serviços proporcionada por esse diagnóstico (e.g., nos EUA, como resultado das alterações na lei sobre educação especial); 5) a compreensão de que a identificação precoce (e a intervenção) maximizam um desfecho positivo (estimulando assim o diagnóstico de crianças jovens e encorajando a comunidade a não "perder" uma criança com autismo, que de outra forma não poderia obter os serviços necessários); e 6) a investigação com base populacional (que expandiu amostras clínicas referidas por meio do sistemático "pente-fino" na comunidade em geral à procura de crianças com autismo que de outra forma poderiam não ser identificadas). É importante enfatizar que o aumento nos índices de prevalência do autismo significa que mais indivíduos são identificados como tendo esta ou outras condições similares. Isso não significa que a incidência geral do autismo esteja aumentando. A crença de aumento na incidência levou à idéia que estava ocorrendo uma "epidemia" de autismo (i.e. que o número de indivíduos com autismo estava crescendo em números alarmantes). Até hoje, não existem evidências convincentes de que isso seja verdadeiro e os riscos ambientais potenciais que hipoteticamente seriam "ativadores" de tal epidemia (e.g., programas de vacinação) não receberam nenhuma validação empírica em vários estudos em grande escala realizados na Escandinávia, no Japão e nos EUA, entre outros.8 Infelizmente, ainda é prevalente a crença entre algumas pessoas de que a vacinação (e.g., a vacina tríplice viral ou sarampo/caxumba/rubéola), ou os conservantes utilizados em programas de imunização (e.g., timerosol), possam causar autismo. Essa crença levou muitos pais a retirar seus filhos dos programas de imunização. Como resultado disso, acumulam-se dados no Reino Unido e nos EUA sugerindo a perigosa reaparição dessas doenças graves, particularmente o sarampo, que pode levar ao retardo mental ou até à morte.

Um achado interessante envolvendo tanto as amostras clínicas quanto as epidemiológicas foi o de que há uma maior incidência de autismo em meninos do que em meninas, com proporções médias relatadas de cerca de 3,5 a 4,0 meninos para cada menina. Essa proporção varia, no entanto, em função do grau de funcionamento intelectual. Alguns estudos relataram proporções de até 6,0 ou mais homens para cada mulher, em indivíduos com autismo sem retardo mental, ao passo que as proporções entre os que tinham retardo mental de moderado a grave eram de 1,5 para 1. Ainda não está claro porque as mulheres têm uma menor representação na faixa sem retardo mental. Uma possibilidade é de que os homens possuam um limiar mais baixo para disfunção cerebral do que as mulheres, ou, ao contrário, de que um prejuízo cerebral mais grave poderia ser necessário para causar autismo em uma menina. De acordo com essa hipótese, quando uma pessoa com autismo for uma menina, ela teria maior probabilidade de apresentar prejuízo cognitivo grave. Várias outras hipóteses foram propostas, incluindo a possibilidade de que o autismo seja uma condição genética ligada ao cromossomo X (dessa forma, tornando os homens mais vulneráveis), mas atualmente os dados ainda são limitados para possibilitar quaisquer conclusões.

3. Diagnóstico e características clínicas

Um diagnóstico de transtorno autístico requer pelo menos seis critérios comportamentais, um de cada um dos três agrupamentos de distúrbios na interação social, comunicação e padrões restritos de comportamento e interesses.9 Há quatro critérios de definição no grupo "Prejuízo qualitativo nas interações sociais", incluindo prejuízo marcado no uso de formas não-verbais de comunicação e interação social; não desenvolvimento de relacionamentos com colegas; ausência de comportamentos que indiquem compartilhamento de experiências e de comunicação (e.g., habilidades de "atenção conjunta" - mostrando, trazendo ou apontando objetos de interesse para outras pessoas); e falta de reciprocidade social ou emocional. Quatro critérios definidores de "Prejuízo qualitativo na comunicação" incluem atrasos no desenvolvimento da linguagem verbal, não acompanhados por uma tentativa de compensação por meio de modos alternativos de comunicação, tais como gesticulação em indivíduos não-verbais; prejuízo na capacidade de iniciar ou manter uma conversação com os demais (em indivíduos que falam); uso estereotipado e repetitivo da linguagem; e falta de brincadeiras de faz-de-conta ou de imitação social (em maior grau do que seria esperado para o nível cognitivo geral daquela criança). Quatro critérios no grupo "Padrões restritivos repetitivos e estereotipados de comportamento, interesses e atividades" incluem preocupações abrangentes, intensas e rígidas com padrões estereotipados e restritos de interesse; adesão inflexível a rotinas ou rituais não-funcionais específicos; maneirismos estereotipados e repetitivos (tais como abanar a mão ou o dedo, balançar todo o corpo); e preocupação persistente com partes de objetos (e.g., a textura de um brinquedo, as rodas de um carro em miniatura). Como foi dito, o diagnóstico de um transtorno autístico também requer desenvolvimento anormal em pelo menos um dos seguintes aspectos: social, linguagem, comunicação ou brincadeiras simbólicas/imaginativas, nos três primeiros anos de vida. E se a criança preenche os critérios da síndrome de Rett ou de transtorno desintegrativo infantil, esses transtornos têm precedência sobre o autismo.

Há uma variação notável na expressão de sintomas no autismo. As crianças com funcionamento mais baixo são caracteristicamente mudas por completo ou em grande parte, isoladas da interação social e com realização de poucas incursões sociais. No próximo nível, as crianças podem aceitar a interação social passivamente, mas não a procuram. Nesse nível, pode-se observar alguma linguagem espontânea. Entre as que possuem grau mais alto de funcionamento e são um pouco mais velhas, seu estilo de vida social é diferente, no sentido que elas podem interessar-se pela interação social, mas não podem iniciá-la ou mantê-la de forma típica. O estilo social de tais indivíduos foi denominado "ativo, mas estranho", no sentido de que eles geralmente têm dificuldade de regular a interação social após essa ter começado. As características comportamentais do autismo se alteram durante o curso do desenvolvimento. Há um considerável potencial para diagnósticos equivocados, especialmente nos extremos dos níveis de funcionamento intelectual. A avaliação da criança com autismo deve incluir um histórico detalhado, avaliações de desenvolvimento, psicológicas e de comunicação abrangentes e a gradação das habilidades adaptativas (i.e. habilidades espontâneas e consistentemente realizadas para atender às exigências da vida diária). Um exame adicional pode ser necessário para excluir prejuízo auditivo, assim como déficits ou anormalidades motoras e sensoriais evidentes ou sutis. O exame clínico deve excluir convulsões e esclerose tuberosa (ver abaixo nas condições clínicas associadas), e a pesquisa genética deve excluir a síndrome do cromossomo X frágil.10

1) Idade de início

O início do autismo é sempre antes dos três anos de idade. Os pais normalmente começam a se preocupar entre os 12 e os 18 meses, na medida em que a linguagem não se desenvolve. Ainda que os pais possam estar preocupados pelo fato de que a criança não escuta (devido à falta de resposta às abordagens verbais), normalmente eles podem observar que a criança responde de forma dramática aos sons de objetos inanimados (e.g., um aspirador de pó, doces sendo desembrulhados); ocasionalmente, os pais relatam retrospectivamente que a criança era "demasiadamente boa", tinha poucas exigências e tinha pouco interesse na interação social. Isso contrasta claramente com as crianças com desenvolvimento normal, para as quais a voz e a face humanas e a interação social estão entre as características mais interessantes e evidentes do mundo. Ocasionalmente, os pais relatam que a criança parecia desenvolver alguma linguagem e, então, a fala permaneceu no mesmo patamar ou perdeu-se; tal histórico é relatado em cerca de 20 a 25% dos casos.11 Quase sempre os pais relatam terem ficado preocupados ao redor de dois anos e inevitavelmente em torno dos três anos. Com a maior conscientização sobre o autismo e seus sinais precoces (e.g., falta de contato visual, de apontar, dar ou demonstrar comportamentos ou alegria social compartilhadas), um número crescente de pais tem se preocupado quando se aproxima o primeiro ano de vida da criança. Claramente, esta sensibilidade aos atrasos e desvios no desenvolvimento social é maior em famílias em que um irmão mais velho já tenha sido diagnosticado com autismo. Ocasionalmente, os pais de crianças autistas com alto grau de funcionamento podem se preocupar menos no primeiro ou no segundo ano de vida, especialmente se a fala e a linguagem estiverem surgindo, mas mesmo nesses casos os pais ficam preocupados antes dos três anos de vida, na medida em que os graves déficits na interação social se tornam mais aparentes em outras situações além do contato próximo com os pais (e.g., em lugares públicos, na interação com colegas da mesma idade ou com familiares).

2) Prejuízos qualitativos na interação social

Crianças com desenvolvimento normal possuem um marcado interesse na interação social e no ambiente social a partir do nascimento. Mecanismos básicos da socialização, tais como atenção seletiva para faces sorridentes ou vozes agudas e brincadeiras, levam as crianças a procurar os cuidadores. A coreografia social mutuamente reforçadora entre a criança e o cuidador inicia o desenvolvimento das habilidades sociais cognitivas, de comunicação e simbólicas. Em bebês e crianças jovens com autismo, a face humana possui pouco interesse; observam-se distúrbios no desenvolvimento da atenção conjunta, apego e outros aspectos da interação social. Por exemplo, a criança pode não se engajar nos jogos habituais de imitação da infância (e.g., esconde-esconde), pode gastar um tempo descomedido explorando o ambiente inanimado quando estimulada pela fala incidental produzida pelos demais em sua proximidade. As habilidades lúdicas, além da exploração sensorial dos brinquedos, podem estar completamente ausentes. Esses déficits são extremamente característicos e não se devem somente ao atraso do desenvolvimento.12-13

O interesse social pode aumentar com o passar do tempo. Há, em geral, uma progressão no desenvolvimento: indivíduos mais jovens e com maior comprometimento podem ser distantes ou arredios à interação, ao passo que indivíduos um pouco mais velhos ou mais avançados podem ter mais disposição de aceitar passivamente a interação, mas não a buscam ativamente. Entre pessoas com autismo, mais capazes funcionalmente, existe com freqüência interesse social, mas elas têm dificuldade em administrar as complexidades da interação social; isto freqüentemente leva ao surgimento de um estilo social não-usual ou excêntrico.

3) Prejuízo qualitativo na comunicação verbal e não-verbal e nas brincadeiras

De 20 a 30% dos indivíduos com autismo nunca falam. Esse percentual é consideravelmente menor do que era há cerca de 10 a 15 anos, graças, em grande parte, à intervenção precoce e intensiva. Retardos na aquisição da linguagem são as reclamações mais freqüentes dos pais. Os padrões usuais de aquisição da linguagem (e.g., brincar com os sons e balbuciar) podem estar ausentes ou ser raros. Bebês e crianças jovens com autismo podem guiar a mão dos pais para obter um objeto desejado, sem fazer contato visual (i.e. como se ela estivesse obtendo o objeto pela mão e não pela pessoa). Ao contrário da criança com transtorno de desenvolvimento da linguagem, não há motivação aparente em estabelecer comunicação ou tentar comunicar-se por meios não-verbais.

Quando os indivíduos com autismo chegam a falar, sua linguagem é notável de várias formas. Eles podem repetir o que lhes é dito (ecolalia imediata) ou o que escutam em seu ambiente, como a TV (ecolalia tardia). A linguagem tende a ser menos flexível, de forma que, por exemplo, não existe uma avaliação de que a mudança de perspectiva ou com quem se fala necessite de uma mudança de pronome; isso leva à inversão pronominal. A linguagem pode ser não-recíproca em sua natureza, e.g., a criança produz uma linguagem sem intenção de comunicação. Mesmo que a sintaxe e a morfologia da linguagem estejam relativamente preservadas, o vocabulário e as habilidades semânticas podem ter um desenvolvimento lento e aspectos dos usos sociais da linguagem (pragmática) são particularmente difíceis para os indivíduos com autismo. Portanto, o humor e o sarcasmo podem ser uma fonte de confusão, na medida em que a pessoa com autismo pode não conseguir apreciar a intenção de comunicação do falante, resultando em uma interpretação completamente literal da declaração. Em geral, a entonação de voz é apagada ou monótona e os demais aspectos comunicativos da voz (e.g., ênfase, altura, volume, e ritmo ou expressões) são idiossincráticos e pobremente modulados.

Os déficits no brincar podem incluir a falha no desenvolvimento de padrões usuais de desempenho de papéis, ou brincadeiras de faz-de-conta, simbólicas ou imaginativas. A criança autística pode explorar os aspectos não-funcionais dos brinquedos (e.g., gosto ou cheiro) ou usar partes dos brinquedos para a auto-estimulação (girar os pneus de um caminhão de brinquedo).

4) Repertório notavelmente restrito de atividades e interesses

Crianças com autismo freqüentemente possuem dificuldade em tolerar alterações e variações na rotina. Por exemplo, uma tentativa de alterar a seqüência de alguma atividade pode deparar-se com terrível sofrimento por parte da criança. Os pais podem relatar que a criança insiste em que eles participem das atividades de formas muito específicas. As alterações na rotina ou no ambiente podem evocar grande oposição ou contrariedade. A criança pode desenvolver um interesse em uma atividade repetitiva, e.g., colecionar cordões e utilizá-los para auto-estimulação, memorizar números, repetir certas palavras ou expressões. Em crianças mais jovens, as vinculações aos objetos, quando ocorrem, diferem dos objetos transicionais habituais, no sentido de que os objetos escolhidos tendem a ser rígidos e não fofos e geralmente é a classe do objeto, mais do que o objeto específico, que é importante, e.g., a criança pode insistir em carregar algum tipo de revista com ela para todos os lugares. Movimentos estereotipados podem incluir andar na ponta dos pés, estalar os dedos, balançar o corpo e outros maneirismos; esses movimentos são realizados como uma fonte de prazer ou forma de se auto-acalmar e podem, às vezes, ser exacerbados por situações de estresse. A criança pode preocupar-se com objetos que giram, e.g., ela pode gastar longos períodos de tempo olhando um ventilador de teto girando.

5) Características associadas

Como observamos anteriormente, 60 a 70% dos indivíduos com autismo possuem retardo mental e cerca de metade deles enquadra-se na faixa de retardo mental leve e os demais na faixa de retardo mental de moderado a profundo. Está bem estabelecido que o retardo mental não é simplesmente conseqüência de negativismo ou da falta de motivação. O perfil típico nos testes psicológicos é marcado por déficits significativos de raciocínio abstrato, formação de conceitos verbais e habilidades de integração, e nas tarefas que requerem um certo grau de raciocínio verbal e compreensão social.14 Portanto, nas escalas do Wechsler, por exemplo, os pontos fracos são notados freqüentemente nos subtestes de Similaridades e Compreensão. Por outro lado, os pontos relativamente fortes são geralmente observados nas áreas de aprendizado mecânico e habilidades de memória e solução de problemas visuo-espaciais, particularmente se a tarefa puder ser completada "passo a passo", i.e. sem a criança ter que inferir o contexto ou a "Gestalt" da tarefa. Portanto, o desempenho nos subtestes Desenho de Blocos e Lembrança de Números das escalas do Wechsler usualmente correspondem aos melhores desempenhos obtidos. A preferência típica por raciocínios repetitivos e seqüências, mais do que por tarefas de raciocínio e integração, normalmente implicam que os indivíduos com autismo exibem um estilo muito fragmentado de aprendizado, não completando diferentes partes de uma tarefa, comunicação ou situações em conjuntos coerentes (como se fossem incapazes de ver "o bosque a partir das árvores").15 Dada a ubiqüidade dos déficits verbais no autismo, o desempenho nas escalas de Wechsler geralmente é caracterizado pelo melhor desempenho nos escores de execução do que nos escores verbais, particularmente nos indivíduos que têm escores na faixa do retardo mental. Indivíduos com autismo e maior nível de funcionamento podem não apresentar um diferencial no desempenho verbal segundo o QI, ainda que continuem apresentando uma preferência por tarefas repetitivas, memória verbal e por testes de reconstrução visual das partes para o todo em detrimento de tarefas de raciocínio conceitual e social. As funções "executivas" estão em geral prejudicadas, resultando em dificuldade de planejamento de manutenção de um objetivo em mente enquanto executam os passos para fazê-lo, do aprendizado por meio de feedback e da inibição de respostas irrelevantes e ineficientes.16

Um dos mais fascinantes fenômenos cognitivos no autismo é a presença das denominadas "ilhotas de habilidades especiais" ou splinter skills, i.e. habilidades preservadas ou altamente desenvolvidas em certas áreas que contrastam com os déficits gerais de funcionamento da criança.17 Não é incomum, por exemplo, que as crianças com autismo tenham grande facilidade de decifrar letras e números, às vezes precocemente (hiperlexia), mesmo que a compreensão do que lêem esteja muito prejudicada. Talvez 10% dos indivíduos com autismo exibam uma forma de habilidades "savant" – i.e. desempenho alto, às vezes prodigioso em uma habilidade específica na presença de retardo mental leve ou moderado. Esse fascinante fenômeno relaciona-se a um âmbito reduzido de capacidades – memorização de listas ou de informações triviais, cálculos de calendários, habilidades visuo-espaciais, tais como desenho ou habilidades musicais envolvendo tonalidade musical perfeita ou tocar uma peça musical após tê-la ouvido somente uma vez. É interessante que indivíduos autistas representam uma maioria desproporcional entre todas as pessoas "savant".

Tanto a hiper quanto a hipossensibilidade aos estímulos sensoriais são típicos das crianças com autismo. As crianças com autismo podem ser muito agudamente sensíveis a sons (hiperacusia), e.g., tapar os ouvidos ao ouvir um cão latir ou o barulho de um aspirador de pó. Outras podem parecer ausentes frente a ruídos fortes ou a pessoas que as chamam, mas ficam fascinados pelo fraco tique-taque de um relógio de pulso ou pelo som de um papel sendo amassado. Luzes brilhantes podem causar estresse, ainda que algumas crianças sejam fascinadas pela estimulação luminosa, e.g., mover um objeto para frente e para trás em frente dos seus olhos. Pode haver extrema sensibilidade ao toque (defensividade tátil), incluindo reações fortes a tecidos específicos ou ao toque social/afetuoso, embora haja muitas crianças que sejam insensíveis à dor e possam não chorar após um ferimento grave. Muitas crianças são fascinadas por certos estímulos sensoriais, tais como objetos que giram, ou partes de brinquedos que podem girar, enquanto algumas têm prazer com sensações vestibulares, como rodopiar, realizando esta ação sem, aparentemente, ficarem tontas.

Distúrbios do sono e alimentares podem ser muito esgotantes na vida familiar, particularmente durante a infância. Crianças com autismo podem apresentar padrões erráticos de sono com acordares freqüentes à noite por longos períodos. Distúrbios alimentares podem envolver aversão a certos alimentos, devido à textura, cor ou odor, ou insistência em comer somente uma pequena seleção de alimentos e recusa de provar alimentos novos. Em crianças com prejuízo cognitivo mais grave, a pica (i.e. comer coisas não-comestíveis) pode colocar um conjunto de questões de segurança, incluindo o risco à toxicidade por chumbo.

Crianças com autismo com um grau de funcionamento menor podem morder as mãos ou punhos, muitas vezes levando ao sangramento e a formações calosas. O fato de golpear a cabeça, particularmente nas que possuem um retardo mental mais grave ou profundo, pode tornar necessário o uso de capacetes ou outros dispositivos protetores. As crianças podem também cutucar excessivamente a pele, arrancar o cabelo, bater no peito ou golpear-se. Existe uma percepção menor do perigo, o que, junto com a impulsividade, pode levar a ferimentos. Acessos de ira são comuns, particularmente em reação às exigências impostas (e.g., cumprir uma tarefa), alterações na rotina ou eventos inesperados. A falta de compreensão ou a incapacidade de comunicar-se, ou a frustração total, podem, eventualmente, levar a explosões de agressividade. Ainda que alguns indivíduos com um grau mais elevado de funcionamento – e.g., aqueles com síndrome de Asperger – tenham sido descritos como particularmente vulneráveis a exibir comportamentos anti-sociais, é de fato mais provável que esses indivíduos sejam vítimas de piadas ou outras formas de agressão; mais comumente ainda, esses indivíduos tendem a se dirigir à periferia dos ambientes sociais.

4. Curso e prognóstico

O autismo é um comprometimento permanente e a maioria dos indivíduos afetados por esta condição permanece incapaz de viver de forma independente, e requer o apoio familiar ou da comunidade ou a institucionalização. No entanto, a maioria das crianças com autismo apresenta melhora nos relacionamentos sociais, na comunicação e nas habilidades de autocuidado quando crescem. Pensa-se em vários fatores como preditores do curso e do desfecho de longo prazo, particularmente a presença de alguma linguagem de comunicação ao redor dos cinco ou seis anos, nível intelectual não-verbal, gravidade da condição e a resposta à intervenção educacional. Crianças mais jovens mais freqüentemente apresentam uma falta "global" de relacionamentos interpessoais, que costumava ser incluída em sistemas diagnósticos mais antigos. Ainda que algumas evidências de responsividade diferenciada aos pais possa ser observada quando a criança ingressa na escola primária, os padrões de interação social permanecem bastante desviados da normalidade. Apesar disso, os ganhos em obediência e comunicação são conseguidos geralmente durante os anos em que ela cursa a escola primária, especialmente se são feitas intervenções estruturadas, individualizadas e intensivas. Durante a adolescência, algumas crianças autistas podem apresentar deterioração comportamental; numa minoria delas, o declínio nas habilidades de linguagem e sociais pode ser associado ao início de um transtorno convulsivo. Vários estilos de interação podem ser observados, variando de arredio a passivo e a excêntrico (e.g., crianças que realizam tentativas de iniciar o contato com os demais, mas que o fazem de uma forma muito desajeitada ou rígida); esses estilos estão relacionados ao nível de desenvolvimento. Sintomas depressivos e ansiosos podem aparecer em adolescentes com grau mais elevado de funcionamento, que se tornam dolorosamente conscientes de sua incapacidade de estabelecer amizades, apesar de assim o desejarem, e que começam a sofrer do efeito cumulativo de anos de contato frustrado com os demais, e de serem alvo da gozação dos colegas.

Vários estudos sobre o desfecho no longo prazo18 sugerem que aproximadamente dois terços das crianças autistas têm um desfecho pobre (incapazes de viver independentemente) e que talvez somente um terço é capaz de atingir algum grau de independência pessoal e de auto-suficiência como adultos; entre estes, a maioria pode ter um desfecho razoável (ganhos sociais, educacionais ou vocacionais a despeito de dificuldades comportamentais e de outra ordem), ao passo que uma minoria (cerca de um décimo de todos os indivíduos com autismo) pode ter um bom desfecho (ter capacidade de exercer atividade profissional com eficiência e ter vida independente).



Síndrome de Asperger

A síndrome de Asperger (SA) caracteriza-se por prejuízos na interação social, bem como interesses e comportamentos limitados, como foi visto no autismo, mas seu curso de desenvolvimento precoce está marcado por uma falta de qualquer retardo clinicamente significativo na linguagem falada ou na percepção da linguagem, no desenvolvimento cognitivo, nas habilidades de autocuidado e na curiosidade sobre o ambiente. Interesses circunscritos intensos que ocupam totalmente o foco da atenção e tendência a falar em monólogo, assim como incoordenação motora, são típicos da condição, mas não são necessários para o diagnóstico.

1. Histórico e nosologia

Em 1944, Hans Asperger, um pediatra austríaco com interesse em educação especial, descreveu quatro crianças que tinham dificuldade em se integrar socialmente em grupos.19 Desconhecendo a descrição de Kanner do autismo infantil precoce publicado só um ano antes, Asperger denominou a condição por ele descrita como "psicopatia autística", indicando um transtorno estável de personalidade marcado pelo isolamento social. Apesar de ter as habilidades intelectuais preservadas, as crianças apresentaram uma notável pobreza na comunicação não-verbal, que envolvia tanto gestos como tom afetivo de voz, empatia pobre e uma tendência a intelectualizar as emoções, uma inclinação a ter uma fala prolixa, em monólogo e às vezes incoerente, uma linguagem tendendo ao formalismo (ele os denominou "pequenos professores"), interesses que ocupavam totalmente o foco da atenção envolvendo tópicos não-usuais que dominavam sua conversação, e incoordenação motora. Ao contrário dos pacientes de Kanner, essas crianças não eram tão retraídas ou alheias; elas também desenvolviam, às vezes precocemente, uma linguagem altamente correta do ponto de vista gramatical e não poderiam, de fato, ser diagnosticadas nos primeiros anos de vida. Descartando a possibilidade de origem psicogênica, Asperger salientou a natureza familiar da condição e, inclusive, levantou a hipótese de que os traços de personalidade fossem de transmissão ligada ao sexo masculino. O trabalho de Asperger, publicado originalmente em alemão, tornou-se amplamente conhecido no mundo anglófono somente em 1981, quando Lorna Wing publicou uma série de casos apresentando sintomas similares.20 Sua codificação da síndrome, no entanto, descaracterizou um pouco as diferenças entre as descrições de Kanner e Asperger, pois incluiu um pequeno número de meninas e crianças com retardo mental leve, bem como de algumas crianças que tinham apresentado alguns atrasos de linguagem nos primeiros anos de vida. Desde então, vários estudos tentaram validar a SA como distinta do autismo sem retardo mental, ainda que a comparação dos achados esteja sendo difícil devido à falta de consenso para os critérios diagnósticos da condição.3

A SA não recebeu um reconhecimento oficial antes da publicação da CID-10 e do DSM-IV, ainda que tenha sido relatada pela primeira vez na literatura da Alemanha em 1944. O trabalho de Asperger era conhecido essencialmente nos países germanófonos e, somente nos anos 1970, foram feitas as primeiras comparações com o trabalho de Kanner, especialmente por pesquisadores holandeses, tais como Van Krevelen, que tinham familiaridade com as literaturas em inglês e alemão. As tentativas iniciais de comparar as duas condições foram difíceis devido às grandes diferenças nos pacientes descritos – os pacientes de Kanner eram mais jovens e tinham maior prejuízo cognitivo. Da mesma forma, a conceitualização de Asperger foi influenciada pelos relatos de esquizofrenia e de transtornos de personalidade, ao passo que Kanner foi influenciado pelo trabalho de Arnold Gesell e sua abordagem de desenvolvimento. Tentativas de codificar os escritos de Asperger em uma definição categorial da condição foram feitas por vários pesquisadores influentes na Europa e na América do Norte, mas nenhuma definição consensual surgiu até o advento da CID-10. E dada a reduzida validação empírica dos critérios da CID-10 e do DSM-IV, a definição da condição provavelmente irá mudar à medida que novos e mais rigorosos estudos surjam no futuro próximo.21

2. Epidemiologia

Dada a falta de definições diagnósticas até recentemente, não é surpreendente que a prevalência da condição seja desconhecida, ainda que tenha sido relatado um índice de prevalência de 2 a 4 em 10.000.22 Há poucas dúvidas de que a condição seja mais prevalente entre homens do que em mulheres, com um índice relatado de 9 para 1. Nos últimos anos, tem havido uma proliferação de associações de apoio familiar, organizadas em torno do conceito de SA, e há indicações de que esse diagnóstico está sendo feito pelos clínicos de forma muito mais freqüente do que há somente alguns poucos anos; há também indicações de que a SA também esteja funcionando atualmente como um diagnóstico residual dado a crianças com nível de inteligência normal e com um grau de comprometimento de habilidades sociais que não preenchem os critérios de autismo, superpondo-se, dessa forma, com o termo TID-SOE do DSM-IV. Possivelmente, o uso mais comum do termo SA é como um sinônimo ou uma substituição para autismo em indivíduos com QIs normais ou superiores.

Esse padrão diluiu o conceito e reduziu sua utilidade clínica. A validação empírica dos critérios diagnósticos específicos é extremamente necessária, ainda que tenha que aguardar relatos de estudos rigorosos que utilizem procedimentos diagnósticos-padrão, e fatores que dêem validação realmente independente da definição diagnóstica, tais como dados neuropsicológicos, neurobiológicos e genéticos.3

3. Diagnóstico e características clínicas

O diagnóstico de SA requer a demonstração de prejuízos qualitativos na interação social e padrões de interesses restritos, critérios que são idênticos aos do autismo. Ao contrário do autismo, não há critérios para o grupo dos sintomas de desenvolvimento da linguagem e de comunicação e os critérios de início da doença diferem no sentido de que não deve haver retardo na aquisição da linguagem e nas habilidades cognitivas e de autocuidado. Aqueles sintomas resultam num prejuízo significativo no funcionamento social e ocupacional.9

Contrastando um pouco com a representação social no autismo, os indivíduos com SA encontram-se socialmente isolados, mas não são usualmente inibidos na presença dos demais. Normalmente, eles abordam os demais, mas de uma forma inapropriada e excêntrica. Por exemplo, podem estabelecer com o interlocutor, geralmente um adulto, uma conversação em monólogo caracterizada por uma linguagem prolixa, pedante, sobre um tópico favorito e geralmente não-usual e bem delimitado. Podem expressar interesse em fazer amizades e encontrar pessoas, mas seus desejos são invariavelmente frustrados por suas abordagens desajeitadas e pela insensibilidade em relação aos sentimentos e intenções das demais pessoas e pelas formas de comunicação não-literais e implícitas que elas emitem (e.g., sinais de tédio, pressa para deixar o ambiente e necessidade de privacidade). Cronicamente frustrados pelos seus repetidos fracassos de envolver outras pessoas e de estabelecer relações de amizade, alguns indivíduos com SA desenvolvem sintomas de transtorno de ansiedade ou de humor que podem requerer tratamento, incluindo medicação. Eles também podem reagir de forma inapropriada ou não compreender o valor do contexto da interação afetiva, geralmente transmitindo um sentido de insensibilidade, formalidade ou desconsideração pelas expressões emocionais das demais pessoas. Podem ser capazes de descrever corretamente, de uma forma cognitiva e freqüentemente formalista, as emoções, as intenções esperadas e as convenções das demais pessoas; no entanto, são incapazes de atuar de acordo com essas informações de uma forma intuitiva e espontânea, perdendo, dessa forma, o ritmo da interação. Sua intuição pobre e falta de adaptação espontânea são acompanhadas por um notável apego às regras formais do comportamento e às rígidas convenções sociais. Essa apresentação é responsável, em grande parte, pela impressão de ingenuidade social e rigidez comportamental, que é tão forçosamente transmitida por esses indivíduos.

Ainda que significativas anormalidades na linguagem não sejam comuns em indivíduos com SA, há pelo menos três aspectos nos padrões de comunicação desses indivíduos que são de interesse clínico.21 Primeiro, a linguagem pode ser marcada pela prosódia pobre, ainda que a inflexão e a entonação possam não ser tão rígidas e monotônicas como no autismo. Eles geralmente exibem um espectro restrito de padrões de entonação que é utilizado com pouca relação no funcionamento comunicativo da declaração (e.g., asserções de fato, comentários bem-humorados). A velocidade da fala pode ser incomum (e.g., fala muito rápida) ou pode haver falta de fluência (e.g., fala entrecortada) e há, freqüentemente, modulação pobre do volume (e.g., a voz é muito alta, apesar da proximidade física do parceiro da conversação). A última característica pode ser particularmente observável no contexto de falta de ajustamento ao ambiente social em questão (e.g., em uma biblioteca, em uma multidão barulhenta). Segundo, a fala pode ser tangencial e circunstancial, transmitindo um sentido de frouxidão de associações e incoerência. Ainda que em um número muito pequeno de casos esse sintoma possa ser um indicador de um possível transtorno de pensamento, a falta de contingência na fala é um resultado do estilo de conversação em monólogo e egocêntrico (e.g., monólogos incansáveis sobre nomes, códigos e atributos de inúmeras estações de TV no país), incapacidade de fornecer a origem dos comentários e de demarcar claramente as mudanças de tópico, e a não-supressão da produção vocal que acompanha os pensamentos introspectivos. Terceiro, o estilo da comunicação dos indivíduos com SA caracteriza-se, geralmente, por notável verbosidade. A criança ou adulto pode falar incessantemente sobre um assunto favorito, geralmente sem qualquer relação com o fato de a pessoa que escuta estar interessada, envolvida, ou tentar interpor um comentário ou alterar o tema da conversação. Apesar de tais monólogos prolixos, o indivíduo pode não chegar nunca a um ponto ou a uma conclusão. As tentativas do interlocutor de elaborar sobre questões de conteúdo ou de lógica ou de mudar a conversação para tópicos relacionados são freqüentemente frustradas.

Os indivíduos com SA normalmente acumulam uma grande quantidade de informações factuais sobre um tópico, de uma forma muito intensa. O tópico em questão pode alterar-se de tempos em tempos, mas em geral domina o conteúdo do intercâmbio social. Freqüentemente, toda a família pode estar imersa no assunto por longos períodos de tempo. Esse comportamento é extravagante no sentido de que, na maior parte das vezes, grandes quantidades de informações factuais são aprendidas sobre tópicos muito circunscritos (e.g., cobras, nomes de estrelas, guias de programação da TV, panelas de fritura comerciais, informações sobre o tempo, informações pessoais sobre membros do Congresso), sem uma genuína compreensão dos fenômenos mais amplos envolvidos. Esse sintoma pode nem sempre ser facilmente reconhecido na infância, já que fortes interesses, como dinossauros ou personagens ficcionais da moda, são onipresentes. No entanto, tanto em crianças mais jovens como em mais velhas, os interesses especiais normalmente se tornam mais bizarros e com foco mais restrito.

Indivíduos com SA podem ter um histórico de aquisição atrasada das habilidades motoras, tais como andar de bicicleta, agarrar uma bola, abrir garrafas e subir em brinquedos de parquinho ao ar livre. Com freqüência, são visivelmente desajeitados e têm uma coordenação pobre, e podem exibir padrões de andar arqueado ou aos saltos e uma postura bizarra. Do ponto de vista neuropsicológico, existe, em geral, um padrão relativamente elevado em habilidades auditivas e verbais e aprendizado repetitivo, e déficits significativos nas habilidades visuomotoras e visuoperceptuais e no aprendizado conceptual. Muitas crianças exibem altos níveis de atividade na infância precoce e, como mencionado, podem desenvolver ansiedade e depressão na adolescência e no início da vida adulta.

4. Curso e prognóstico

Não há ainda estudos sistemáticos de acompanhamento no longo prazo de crianças com SA, parcialmente devido a problemas com a nosologia. Muitas crianças são capazes de assistir a aulas em escola regular com serviços de apoio adicional, ainda que sejam especialmente vulneráveis a serem vistas como excêntricas e a serem alvo de chacotas ou serem vitimizadas; outras requerem serviços de educação especial, geralmente não devido a déficits acadêmicos, mas devido às suas dificuldades sociais e comportamentais. A descrição inicial de Asperger previu um desfecho positivo para muitos de seus pacientes que, com freqüência, eram capazes de utilizar seus talentos especiais para obter emprego e ter vidas auto-sustentadas. Sua observação de traços similares em familiares, i.e. pais, pode também tê-lo tornado mais otimista sobre o desfecho final. Ainda que seu relato tenha sido pouco comprovado durante o período em que ele tinha visto 200 pacientes com a síndrome (25 anos após seu artigo original), Asperger continuava a acreditar que um desfecho mais positivo era um critério central para diferenciar os indivíduos com sua síndrome daqueles com o autismo de Kanner. Ainda que alguns clínicos tenham apoiado informalmente essa afirmação, particularmente com relação a conseguir um bom emprego, independência e o estabelecimento de uma família, não existe nenhum estudo disponível que tenha estudado especificamente o desfecho no longo prazo de indivíduos com SA. O prejuízo social (particularmente as excentricidades e a insensibilidade social) é considerado permanente.



Conclusão

As síndromes autísticas e a de Asperger são síndromes originadas de alterações precoces e fundamentais no processo de socialização, levando a uma cascata de impactos no desenvolvimento da atividade e adaptação, da comunicação e imaginação sociais, entre outros comprometimentos. Muitas áreas do funcionamento cognitivo estão freqüentemente preservadas e, às vezes, os indivíduos com essas condições exibem habilidades surpreendentes e até prodigiosas. O início precoce, o perfil de sintomas e a cronicidade dessas condições implicam que mecanismos biológicos sejam centrais na etiologia do processo.23 Avanços na genética, neurobiologia e neuroimagem (descritos em outros artigos deste suplemento) estão ampliando conjuntamente nossa compreensão sobre a natureza dessas condições e sobre a formação do cérebro social em indivíduos com esses características.24 Junto com esta nova onda de estudos prospectivos sobre o autismo,25 na qual irmãos sob risco de desenvolver a condição são acompanhados desde o nascimento, uma nova perspectiva da neurociência social sobre a patogênese e a psicobiologia dos fatores está surgindo. Este esforço provavelmente irá elucidar os mistérios da etiologia e da patogênese dessas condições. A transição do foco das pesquisas para tratamentos mais eficazes, senão a prevenção, irá provavelmente acontecer.



Referências

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Correspondência
Ami Klin
Yale Child Study Center
230 South Frontage Road
New Haven CT 06520, USA

A musicalização como meio de intervenção no desenvolvimento global de crianças com síndrome de down – um estudo de caso

VEJAM MAIS SOBRE A musicalização como meio de intervenção no desenvolvimento global de crianças com síndrome de down – um estudo de caso EM:
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A música é um poderoso meio de intervenção em diversas áreas do desenvolvimento infantil: físico, sensorial, mental, emocional, psicomotor e social. Possibilita novas maneiras de se perceber o meio em que vivemos. É também um agente de inclusão social, pois todo ser humano é sensível a ela, independente da reação que a música possa causar no indivíduo. Até mesmo uma pessoa com deficiência auditiva é capaz de sentir a música, através de suas vibrações. Pensando na inclusão social e no bem estar de pessoas com deficiência, minha pesquisa tem como foco a Síndrome de Down, que dentre as anomalias genéticas, é a que tem maior incidência em nascidos vivos. As pessoas nascidas com essa síndrome apresentam diversos problemas de saúde ao decorrer da vida, além da deficiência mental. Hoje sabemos que, quanto mais cedo receberem tratamento e estiverem expostas a atividades que as estimulem, melhor será seu desenvolvimento e mais eficazes serão os resultados obtidos. Sabendo dos benefícios que a música oferece ao ser humano, o objetivo principal dessa pesquisa é investigar e estudar a influência da música no desenvolvimento de crianças com Síndrome de Down.
A pesquisa:Sou aluna do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (UNESP),Brasil, e atualmente curso o 5º ano da faculdade de música, com habilitação em composição e regência.
Meu primeiro contato com pessoas com síndrome de Down foi em 2007, quando comecei a dar aula de musicalização para um garoto com síndrome de Down, de 16 anos, em uma escola de música. A partir de então procurei saber mais sobre essa síndrome, em livros, artigos, revistas focadas no assunto, etc. Foi daí que surgiu o interesse na pesquisa de iniciação científica. Já tinha conhecimento do Instituto Gabi, pois morei no bairro onde é situado. Mandei um e-mail ao instituto falando sobre meu interesse e perguntando se havia algum profissional que trabalhasse com música, pois eu gostaria de ver como outras pessoas trabalhavam com música e crianças com deficiência intelectual. Na época não havia ninguém que fizesse esse trabalho lá, mas eles estariam contratando pessoas para trabalhar na área de artes, pois haviam recebido uma verba do FUMCAD (Fundo Municipal dos direitos da Criança e do Adolescente). E foi assim que comecei meu trabalho no Instituto Gabi. Mesmo dizendo à coordenadora que minha experiência com deficiência intelectual tinha sido somente com o garoto da escola de música, ela me fez o convite e eu aceitei. Foi uma experiência totalmente diferente, pois, até então, eu trabalhava com apenas um aluno, e de repente, me deparei com várias turmas, cada uma com no mínimo cinco crianças, com diferentes tipos de deficiência.
No final de 2007 surgiu a oportunidade para a continuação de uma pesquisa em andamento, com bolsa pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O tema era envelhecimento e educação musical. Resolvi aceitar, pois já seria um passo para, posteriormente, seguir na área que eu desejava. Terminada essa pesquisa, conversei com minha orientadora sobre meu interesse em fazer uma pesquisa sobre música e crianças com síndrome de Down. Ela me ajudou a fazer o projeto para a nova pesquisa, e em agosto de 2008 iniciei a parte teórica da atual pesquisa.
O primeiro passo foi pesquisar bibliografia, tanto sobre educação musical quanto de educação especial, além de livros específicos sobre síndrome de Down. Foi difícil achar material específico sobre música E educação especial. Há algumas dissertações de mestrado e até alguns livros publicados, mas ainda é muito pouco.
O próximo passo foi a parte prática. As aulas de musicalização são semanais, com duração de quarenta minutos. Em cada aula atendo duas crianças. Durante as aulas utilizo músicas do repertório infantil, folclore brasileiro, músicas de outros países e atém mesmo erudita. Realizo atividades rítmicas, jogos de memória auditiva e até confecção de instrumentos, feitos com sucata. Também utilizo instrumentos de percussão, como tambores, chocalhos, pandeiros, além de brinquedos e fantoches. Como cada criança apresenta uma dificuldade particular, procuro escolher atividades que ajudem a amenizar essa dificuldade. É um trabalho onde é preciso ter muita paciência, pois muitas vezes, os resultados demoram a aparecer. Já tenho notado alguns resultados positivos em crianças introvertidas e agressivas. Muitas das atividades de musicalização têm como principal objetivo a socialização. Isso faz com que a criança sinta-se como parte de um grupo, vendo outras crianças como companheiras, e não como ameaça. O importante é lembrar que crianças com síndrome de Down são como qualquer criança: cada uma tem sua personalidade e agem de maneiras diferentes.
Após o término de cada aula, cada atividade realizada é detalhada, junto com seus respectivos objetivos, os resultados obtidos e a reação das crianças, antes, durante e após as a aula. Os dados obtidos em relatórios, fotos, gravações (áudio e vídeo) e possíveis materiais confeccionados durantes as aulas, tais como instrumentos musicais, brinquedos, desenhos, etc., servirão de material para análise e contribuirão para que se chegue ao objetivo proposto e às conclusões inerentes ao trabalho. Foram entregues questionários aos pais das crianças e aos profissionais que as atendem no Instituto Gabi, abordando questões a respeito da vivência musical dessas crianças, a fim de investigar se as aulas de musicalização estão surtindo efeito no desenvolvimento delas.
Através dos dados obtidos pelos questionários respondidos pelos funcionários do Instituto Gabi, posso concluir que atividades de musicalização são, acima de tudo, um poderoso meio de intervenção nas diversas áreas do desenvolvimento infantil. Todos os funcionários entrevistados utilizam atividades relacionadas à música, diretamente ligadas a fatores musicais ou não. Acreditam também que a música prende a atenção das crianças, fator muito importante, já que o tempo de concentração dessas crianças é limitado. Outro fator muito relatado é a socialização. Através de atividades musicais é possível incluir o indivíduo em um grupo, de forma prazerosa e natural. Desse modo, a própria criança consegue se enxergar como um indivíduo, dentro de um grupo, incluída socialmente.
Ana Célia de Lima Viana - Brasil

MARA GABRILLI - CONHEÇA A HOME PAGE DESTA NOTÁVEL PERSONAGEM DA HISTORIA NACIONAL SOBRE AS PESSOAS COM DEFICIENCIA

MARA GABRILLI - CONHEÇA A HOME PAGE DESTA NOTÁVEL PERSONAGEM DA HISTORIA NACIONAL SOBRE AS PESSOAS COM DEFICIENCIAS EM : http://www.maragabrilli.com.br/home.html

QUEM SOU EU ?
Mara Gabrilli, não se intimida diante de desafios. A vida lhe impôs muitos, outros ela foi buscar. "Gosto de transformar", afirma a publicitária, psicóloga, colunista de revista, empreendedora social, ex-secretária municipal e vereadora na Câmara de São Paulo, 41 anos, que ficou tetraplégica em 1994 por causa de um acidente que quase lhe custou a vida. Passou cinco meses internada - dois em respirador artificial - e recebeu uma nova condição: a impossibilidade de se mexer do pescoço para baixo. Quando os médicos lhe disseram que ela tinha 1% de chance de voltar a se movimentar, ela disse: "Um não zero. Tenho muito trabalho a fazer!" Foi aí que Mara iniciou seus projetos utilizando seu corpo junto com outras ferramentas preciosas: a cabeça e o coração.
Fundou, em 1997, a ONG Projeto Próximo Passo para promover pesquisas para cura de paralisias, promoção do Desenho Universal e atletas com deficiência. Hoje chamado Instituto Mara Gabrilli, tem a PPP como um de seus braços apoiando 90 atletas. Três foram às Paraolimpíadas de Pequim. O IMG já contribuiu com diversas pesquisas em laboratórios na USP, entre elas a que resultou na primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias: a BR-1. Também participou da mostra de arquitetura e decoração Casa Cor São Paulo promovendo o conceito de Desenho Universal.

No âmbito político, Mara foi a primeira secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (2005/2007). Desenvolveu dezenas de projetos em infra-estrutura urbana, educação, saúde, transporte, cultura, trabalho, entre outros, que trouxeram mudanças para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, mas que, no fim das contas, beneficiam a toda população por meio do conceito do Desenho Universal.

Em atuação na Câmara Municipal desde fevereiro de 2007, foi a segunda melhor avaliada entre os 55 vereadores paulistanos, por estudo da ONG Voto Consciente. No quesito Coerência - o cumprimento das propostas feitas na campanha - teve a maior nota: 9,53. Em 2008 foi reeleita com 79.912 votos - a mulher mais votada do Brasil e a quinta entre os vereadores paulistanos.

Mara ainda escreve uma coluna mensal para a revista TPM (TRIP Editora) há 8 anos e comanda, desde abril de 2007, o programa de rádio Derrubando Barreiras: acesso para todos na Rede Eldorado AM.

Todo esta trabalho social, político, científico e, sobretudo humanista, fez com que Mara Gabrilli fosse eleita Paulistana do Ano (2007) pela revista Veja São Paulo, um dos Cem Brasileiros Mais Influentes (2008) da revista Isto É, finalista do Prêmio Claudia 2008 na categoria Políticas Públicas e figura, também, entre os 100 Brasileiros Mais Influentes (2008) da revista Época (Editora Globo) na categoria Benfeitores.

PSICOMOTRICIDADE - CORPO... DEFICIENTE ou EFICIENTE.. na água?




VEJAM O EXCELENTE ARTIGO DA PROFESSORA Cacilda Gonçalves Velasco, professora, pedagoga e psicomotricista.

CORPO... DEFICIENTE ou EFICIENTE.. na água?
Cacilda Gonçalves Velasco


O "culto ao corpo'' na atual sociedade é um lema na formação de nossos professores de educação física. Apesar de muitas campanhas médicas e da mídia em relação à qualidade de vida, ainda persiste os padrões estéticos quando falamos de pessoas comprometidas com alguma deficiência física, sensorial e/ou mental. São tantos aqueles que precisam de ajuda e tão poucos dispostos a ajudar...

Sabendo-se que o deficiente é aquele que não consegue disfarçar, devemos tomar a postura, além de educadores físicos, de terapeutas, ''cirurgiões plásticos'' da emoção e da ação.
Há mais de 20 anos temos tido em nosso trabalho junto à psicomotricidade, o objetivo fundamental de promover o bem-estar, a restauração da autoconfiança, muitas vezes perdida, e o prazer da realização. Verificamos que os benefícios surgem rapidamente ou a longo prazo, dependendo do nível e da intensidade do comprometimento. Enquanto profissional devemos tentar restituir-lhes a autonomia necessária, desde que soubermos do patamar que essa pessoa poderá atingir na execução dos exercícios. O importante é que ela possa sentir-se o menos diferenciada possível em relação ao grupo e às atividades da vida diária.
Uma análise retrospectiva da história da educação especial no Brasil evidencia que sua trajetória acompanha a evolução da conquista dos direitos humanos. Houve época em que pessoas com deficiências eram sacrificadas porque nada de útil representavam para a sociedade.
Durante séculos, os deficientes foram considerados seres distintos e à margem dos grupos sociais. A medida em que o direito do homem à igualdade e à cidadania tornaram-se motivo de preocupação dos pensadores, a história da educação especial começou a mudar.
A histórica rejeição cedeu lugar à compaixão e às atitudes de proteção e filantropia, até hoje perduram e muitas vezes prevalecem, apesar de todos os esforços que tem sido realizados para que esta postura seja substituída pelo reconhecimento da igualdade de direitos a todo cidadão, sem discriminações.
Milenarmente é sabido das propriedades terapêuticas da água e das diferentes formas de utilizá-la com os deficientes. Os mais renomados profissionais da área da saúde se curvam aos seus benefícios, mas sempre se deparam com algumas dificuldades na sua utilização. A água é um elemento capaz de diminuir as diferenças entre os indivíduos e, em alguns casos, até torná-los iguais, já que nela a distinção deficiente/não-deficiente fica menos nítida. Para um tratamento em que o lado emocional do paciente é um fator decisivo, a água novamente ganha importância pois proporciona prazer e bem estar.

Dificuldades: Por parte dos deficientes: escassez de recursos financeiros; desigualdade de oportunidades oferecidas nas regiões onde habita e o desinteresse e resistência na maioria das entidades para aceitá-lo como alunos-pacientes.
Por parte das entidades: acessibilidade e estrutura física das piscinas inadequada para a elaboração de programas de trabalho especial; despreparo teórico e prático dos profissionais para esse tipo de atendimento; carência de técnicas para a orientação, acompanhamento e avaliação de programas a serem desenvolvidos; insuficiência de propostas inovadoras, como alternativas educacionais e/ ou terapêuticas; inadequação e carência de materiais e equipamentos para um atendimento especializado e falta de programas adequados para a orientação da família do deficiente.

Público alvo:
Pode ser denominado de pessoa especial, aquela que por apresentar necessidades próprias e diferentes dos demais alunos no domínio das aprendizagens correspondentes a sua idade, requer recursos pedagógicos e metodologias específicas.
Genericamente chamados de portadores de deficiência (mental, física, sensorial ou múltipla), portadores de condutas típicas (problemas comportamentais) e portadores de altas habilidades (superdotados).
A pessoa portadora de deficiência é a que apresenta, em comparação com a maioria das pessoas, significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, decorrentes de fatores inatos ou adquiridos, de caráter permanente, que acarretam dificuldades em sua interação com o meio físico e social.
A pessoa portadora de necessidades especiais é aquela que apresenta, em caráter permanente ou temporário, algum tipo de deficiência física, sensorial, cognitiva, múltipla, condutas típicas ou altas habilidades, necessitando, por isso, de recursos especializados para desenvolver mais plenamente o seu potencial e/ou superar ou minimizar suas dificuldades.

Intervenções:

Qualquer programa de trabalho junto a essas pessoas deve se basear num processo que vise promover o seu desenvolvimento e que abranja diferentes níveis e graus de comprometimento. Deve fundamentar-se em referências teórico-práticas compatíveis com as necessidades específicas de cada aluno/paciente. O processo deve ser integral, fluindo desde a estimulação essencial até a aprendizagem de técnicas, tendo como finalidade formar cidadãos conscientes e participativos, independentemente de suas deficiências.
Para aqueles que ainda a desconhecem, a Psicomotricidade é uma ciência, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, já há meio século.

Ela poderia ser definida como: a realização de um pensamento, através de um ato motor coeso, econômico e harmonioso, exigindo para isso uma atividade equilibrada.
Sendo uma ciência de equilíbrio, podemos utilizá-la em vários processos, para prevenir e/ou reabilitar problemas originados da falta de harmonia entre o corpo/mente/ prazer.

Objetivos:• Normalizar, entendendo-se aqui não o de normalização de tais pessoas, mas sim do contexto em que se desenvolvem, ou seja, oferecer aos portadores de necessidades especiais, modos e condições de vida diária o mais semelhante possível às formas e condições de vida do resto da sociedade.
• Reabilitar, promovendo-se um conjunto de medidas de natureza médica, social educativa e profissional, destinadas a preparar ou reintegrar o indivíduo, com o objetivo de fazê-lo alcançar o maior nível possível de sua capacidade ou potencialidade.
• Integrar, através de um processo dinâmico de participação das pessoas num contexto relacional, legitimando sua interação nos grupos sociais. A integração implica em reciprocidade.
Profissionais:
Os profissionais são todos aqueles que conhecem e sabem lidar com o corpo, que souberem a teoria e a prática das propriedades físico-químicas da água e possuam conhecimento e esclarecimento das deficiências em geral e seus respectivos comprometimentos. Encontraremos alguns obstáculos junto a determinadas classes profissionais, pois alguns consideraram-se ''credenciados para'' e outros ''aptos para''. O que conta é o desejo de cada um em se relacionar com "pessoas diferentes".

Como nomear esse trabalho:
Mesmo sendo a nomenclatura um problema semânico, pois hidro significa água e terapia significa meio, estratégia, programa especial, processo de cura ou natação, algo deverá ser aprendido pelo homem...se locomover na água.
Chamamos de natação adaptada o trabalho realizado em relação aos processos de aprendizagem das técnicas dos nados e terapia, quando estamos tentando utilizar de estratégias terapêuticas para processos reabilitatórios. Tanto um como outro são recursos importantíssimos nos tratamentos em algumas especialidades médicas, tais como ortopedia, neurologia, pediatria, reumatologia, cardiologia, geriatria e até clínica médica. Temos uma experiência pessoal, com excelentes resultados em casos de pacientes convulsivos, com deficiência músculo-postural e cardio-respiratória, deficiência mental, visual e auditiva, paralisia cerebral, autismo, entre outras patologias. Isto ocorre porque nessas atividades os pacientes experimentam todos seus mecanismos e estruturas visuais, auditivas, táteis e cinestésicas, sendo que, se alguma delas está lesada, automaticamente outra, ou outras, serão mais desenvolvidas na água, além de lhes promover saúde e prazer.

Lucro
$aber que, pelo meno$ você, não se ab$teve de tentar fazer um pouco melhor a vida de um $emelhante.

• Respeitar a individualidade (IB) de cada ser humano.
• Estabelecer uma relação afetiva de ajuda e não de dependência.
• Utilizar a linguagem corporal como meio de comunicação.
• Apesar de realizar um planejamento de trabalho individualizado, permitir a livre
iniciativa, entendendo que a deficiência não é sinônimo de doença.
• Respeitar a pessoa completa que o deficiente é: um sujeito que tem uma história de
vida, vive num contexto social e em condições singulares interagindo com direitos e deveres.
• Procurar estabelecer uma relação domiciliar, isto é, tentar participar do dia a dia da pessoa demonstrando o seu interesse pelo que ela é.
• Manter contato com os demais terapeutas que assistem o paciente programando um trabalho em conjunto, produzindo assim maiores e melhores resultados.
• Estabelecer a participação dos deficientes em grupos de conveniência e lazer,
visando a sua integração na sociedade.

Cacilda Gonçalves Velasco, professora, pedagoga e psicomotricista. Diretora da Flechinha Natação, Cursos e Presidente da Associação Vem Ser.em São Paulo. Autora dos livros: Habilitação e Reabilitações Psicomotoras na Água, Natação Segundo a Psicomotricidade, Brincar - O Despertar Psicomotor e o mais recente, lançado em maio/05 pela Editora All Print - Aprendendo a Envelhecer... à luz da psicomotricidade.


ARTIGO SOBRE NATAÇÃO E A PSICOMOTRICIDADE PARA CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL EM :

http://cecemca.rc.unesp.br/ojs/index.php/motriz/article/viewFile/751/757

Artigo Original
Atividade aquática e a psicomotricidade de crianças com paralisia cerebral
Claudia Teixeira-Arroyo
Sandra Regina Garijo de Oliveira

Faculdades Integradas FAFIBE, Bebedouro SP Brasil

Resumo: Este estudo teve como objetivo investigar a influência de atividades aquáticas na psicomotricidade de crianças com Paralisia Cerebral (PC).

Utilizou-se uma pesquisa descritiva exploratória, com estudo de casos.

Participaram da pesquisa dois meninos: um de 12 anos (P1) e um de 7 anos (P2), ambos com PC espástica. O Instrumento utilizado foi uma ficha para avaliação psicomotora adaptada. O teste foi aplicado antes da intervenção e após cinco meses de atividades aquáticas. Comparando-se os resultados de pré- e pós-teste, obteve-se os seguintes resultados: P1 melhorou 33% em coordenação e equilíbrio, 14% em esquema corporal, 40%em lateralidade, 17% em orientação espacial e 41% em orientação temporal.

P2 melhorou 21% em coordenação e equilíbrio, 13% em esquema corporal, 28% em lateralidade, 05% em orientação espacial e 33% em orientação temporal. Com isso pode-se concluir que as atividades aquáticas, nestes casos, influenciaram de forma Positiva no padrão psicomotor de crianças com PC espástica.
Palavras-chave: Atividades Aquáticas. Paralisia Cerebral. Psicomotricidade.

Introdução
A Encefalopatia Crônica Não Progressiva da Infância
(ECNPI) ou Paralisia Cerebral (PC), como é mais conhecida,
se caracteriza por uma seqüela de agressão encefálica, com
transtorno persistente e invariável do tono, da postura e do
movimento, que surge na primeira infância e exerce influência
sobre a maturação neurológica em diversos níveis
(DORETTO, 2001; MILLER; CLARK, 2002; MORIMOTO
et al, 2004).
A incidência de casos de PC na população é de dois em
cada mil nascidos vivos, sendo que em países em
desenvolvimento chega a sete por mil nascidos vivos. No
Brasil é estimada a ocorrência de 30.000 a 40.000 casos
novos por ano (MANCINI et al., 2002; CALCAGNO et al.,
2006).
As crianças com PC atingem seus marcos de desenvolvimento mais tarde que as crianças que não apresentam comprometimentos neuromotores e isso independe da inteligência ou do comportamento. Nestes casos, o desenvolvimento não é somente atrasado, mas
desordenado e limitado, como conseqüência da lesão (BOBATH; BOBATH, 1989). Entende-se, portanto, que na PC na maioria dos casos é o desenvolvimento motor que está
comprometido, podendo o desenvolvimento cognitivo, emocional e social estar adequado aos parâmetros de indivíduos na mesma fase de desenvolvimento.
A síndrome neurológica na PC é evidenciada principalmente por transtornos motores, porém o caráter permanente e invariável da lesão não significa que a
sintomatologia do indivíduo com PC seja permanente e imutável, sua funcionalidade irá se estruturar no tempo e a evolução será determinada pelo momento em que o fator
nocivo agiu no sistema nervoso durante sua maturação estrutural e funcional (DIAMENT, 2007).
Uma característica desses distúrbios é a falta de controle sobre os movimentos, por modificações adaptativas do comprimento muscular e em alguns casos, resultando em
deformidades ósseas. Além disso, como a doença acontece em um período acelerado do desenvolvimento da criança,processo de aquisição de habilidades pode ser comprometido (MANCINI et al., 2002; CALCAGNO et al., 2006).

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

PARAOLIMPIADAS 2016 NO BRASIL - certamente será mais um show do paraatletas brasileiros




Paraolímpicos sonham ficar entre os cinco primeiros em 2016

Maior medalhista da história do esporte paraolímpico do Brasil, com 13 medalhas (seis delas douradas), o nadador Clodoaldo Silva também esbanja otimismo e prevê o País com status de potência.

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - Nono colocado nas últimas Paraolímpiadas, em Pequim, com 16 medalhas de ouro, o Brasil já sonha em ficar entre os cinco primeiros colocados diante da torcida nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016. A escolha da capital fluminense como sede encheu dirigentes e atletas de expectativa.
"A vitória é uma conquista muito grande para o movimento paraolímpico. Tenho certeza de que vamos caminhar para uma consolidação nos próximos anos e com um incremento do apoio ao esporte, tanto convencional quanto paraolímpico. Já temos de começar a nos preparar para contar com a maior e melhor delegação de atletas, com o intuito de brigar para ficar entre os cinco primeiros", planejou Andrew Parsons, presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro.

Maior medalhista da história do esporte paraolímpico do Brasil, com 13 medalhas (seis delas douradas), o nadador Clodoaldo Silva também esbanja otimismo e prevê o País com status de potência.

"O planejamento que o Comitê Organizador dos Jogos do Rio de Janeiro fez estava perfeito. Assim como aquelas pessoas que votaram no Brasil, eu sempre acreditei que nós tínhamos condições de sediar uma edição dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. É o maior evento do planeta. Em 2016, o Brasil vai se tornar, de uma vez por todas, uma potência mundial no esporte", previu.

Campeão paraolímpico nos 100m, 200m e 400m rasos nos Jogos de Pequim, Lucas Prado aguarda maiores investimentos na modalidade. "Não poderia estar mais felizes com esta conquista. Agora o Brasil vai começar a investir nos atletas para fazer bonito nos Jogos Paraolímpicos dentro da nossa casa. Vamos ter investimento também na estrutura, com melhores condições de treinamentos para um número maior de atletas. Tenho certeza de que o país não vai decepcionar", concluiu.

OLIMPIADAS E PARAOLIMPIADAS 2016 - BRASIL DA MOSTRAS DE COMPETENCIA, ÉTICA E PROFISSIONALISMO





Um verdadeiro SHOW a defesa do direito a sediar as Olimpiadas e Paraolimpíadas de 2016 no BRASIL foi mostrada neste dia pelo Presidente Luis Inácio Lula da silva. Calmo, com consistência, determinação e com o desejo de vitoria desenhado no olhar, nosso Presidente deu mostras de como deve ser um discurso prático e convincente, com o qual conduziu a bandeira nacional a poder, em 2016, ser a sede dos maiores jogos mundiais esportivos e paraesportivos. Concorrendo com fortísissimas candidatas, uma equipe multidisciplinar consistente e muito trabalho,viajando diuturnamente a fim de que nosso sonho fosse concretizado.Com a Eliminação de Chicago na primeira escolha, a partir daquele momento, a candidatura do Brasil solidificou-se e, certamente não havia um só brasileiro que a partir daquele momento não tivesse a plena certeza da vitória final. Agora, cabe-nos fazer cumprir todas as alineas contidas na proposta que, a proposito, foi de um altíssimo nível profissional e de competência. Parabens do BLOG DO PROFESSOR SERGIO CASTRO a todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para esta magnífica e marcante conquista de todos nós brasileiro.
O enorme empenho do governo brasileiro e os R$ 138 milhões gastos na campanha levaram o Brasil a realizar um sonho antigo: esta foi a quinta vez que o país entrou na briga para sediar os Jogos. O mesmo já havia ocorrido em 1936 (candidatura independente, sem anuência COB), 2000, 2004 e 2012 — apenas em 2000 a candidatura não foi carioca, mas de Brasília (leia mais sobre as candidaturas anteriores).

COPENHAGUE (Dinamarca) – O Rio de Janeiro será a primeira cidade da América do Sul a receber uma edição dos Jogos Olímpicos. A cidade brasileira venceu a concorrência com Madri, Chicago e Tóquio, nesta sexta-feira, em votação realizada em Copenhague, na Dinamarca. A decisão saiu apenas na terceira rodada de votos, com vitória do Rio de Janeiro sobre Madri. De forma surpreendente, Chicago foi a primeira cidade eliminada, enquanto Tóquio caiu na segunda rodada. Os cariocas "bateram" os madrilenhos por 66 a 32, mais da metade dos votos.

Rio de Janeiro: a cidade mais feliz do mundo!
Sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016


Divulgação - Co-RIO 2016

O Rio de Janeiro foi escolhido, nesta sexta-feira (02/10), como sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. O resultado inédito na história do esporte mundial foi anunciado pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o belga Jacques Rogge, em Copenhagen, na Dinamarca. É a primeira vez que uma cidade da América do Sul tem o direito de receber os Jogos.

A capital fluminense entrou na final contra Chicago, Tóquio e Madri. A cidade norte-americana saiu na primeira rodada de votações com a menor votação (18). Até então, os espanhóis estavam em vantagem em relação aos cariocas no pleito (28 a 26). Na segunda rodada, os japoneses foram eliminados e o Rio de Janeiro recebeu os votos dos americanos. Nesta etapa, a candidatura verde-amarela alcançou 46, contra 29 de Madri.

Na rodada decisiva, início da tarde no Brasil, final da tarde na Dinamarca, Rogge anunciou a tão esperada decisão: Rio de Janeiro, sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. A delegação brasileira em Copenhagen, que conta com a presença do presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, o nadador mineiro Daniel Dias, e a pernambucana Rosinha, do atletismo, explodiu em alegria.

A festa iniciada no Bella Center correu o mundo nas imagens da transmissão de TV e chegou às areias da praia de Copacabana. Uma verdadeira expectativa de final de Copa do Mundo de futebol encerrou-se com uma comemoração bem brasileira: sol, praia, música e muita alegria.

Fazendo uma análise dos números do Rio de Janeiro, os membros do COI que votaram em Tóquio e Chicago nas rodadas iniciais, optaram pela candidatura brasileira na decisiva.

“A vitória é uma conquista muito grande para o movimento paraolímpico. Tenho certeza que vamos caminhar para uma consolidação nos próximos anos e com um incremento do apoio ao esporte, tanto convencional quanto paraolímpico. Já temos de começar a nos preparar para contar com a maior e melhor delegação de atletas, com o intuito de brigar para ficar entre os cinco primeiros. Temos que parabenizar o presidente Lula, o governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, pelo trabalho perfeito da candidatura”, disse, emocionado, Andrew Parsons.

A campanha bem sucedida dos cariocas iniciou-se em 2007, com o anúncio da terceira candidatura – perdera para 2004 e 2012. A organização dos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos no Rio de Janeiro, em 2007, foram uma prova de fogo, pela qual o Rio passou com louvor.

Para esta final, os brasileiros chegaram com a menor nota do COI (6,4), após visita às finalistas, no primeiro trimestre de 2009. Tóquio fora a melhor (8,3), seguida de Madri (8,1) e Chicago (7,0).

A desvantagem foi revertida com a bela apresentação do Comitê Organizador do Rio 2016. O Rio expôs por 45 minutos, em quatro idiomas (inglês, francês, espanhol e português), os motivos para ser a escolhida para 2016.

A apresentação
“Chegou nossa hora e para nós esta será uma oportunidade sem igual. Além de um compromisso, a realização dos Jogos Olimpícos no Rio é um desejo do Estado brasileiro, portanto do povo brasileiro. Demos todas as garantias pedidas pelo COI e estamos investindo no legado”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente do Comitê de Candidatura Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, assegurou: “O Brasil está pronto, o Rio está pronto. O Rio oferece ação, garantias e oportunidade de futuro”, defendeu Nuzman.

Para o Secretário Geral do Comitê de Candidatura Rio 2016, Carlos Roberto Osório, que apresentou a parte técnica do projeto, os jogos vão mudar a cara do Rio. “O desafio foi atender a todas as questões levantadas pelo COI. O Rio tem um excelente projeto técnico”,garantiu ele.

O rei Pelé também está convicto do potencial da candidaura brasileira. “Mostramos que o Brasil e o Rio de Janeiro estão de fato preparados”. Isabel Swan fez de sua própria experiência como atleta olímpica a sua defesa para o Rio. “O esporte pode transformar vidas. A Rio 2016 inspirará novos talentos e encorajará a participação no esporte como ferramenta de inclusao social”.

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