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sábado, 15 de maio de 2010

Centro de Apoio para Atendimento às Pessoas com Surdez
















Centro de Apoio para Atendimento às Pessoas com Surdez
VEJAM MAIS NO SITE : http://search.babylon.com/imageres.php?iu=http://mecsrv04.mec.gov.br/encontro/img/naahs.jpg&ir=http://mecsrv04.mec.gov.br/encontro/includes/especial.html&ig=http://images.google.com/images?q=tbn:EJh5Cu445kdg7M::mecsrv04.mec.gov.br/encontro/img/naahs.jpg&h=349&w=250&q=ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO&babsrc=conduit


O Centro de Apoio para Atendimento às Pessoas com Surdez - CAS consiste em uma ação estabelecida por meio de parceria entre a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação - SEESP/MEC e as Secretarias Estaduais de Educação, e tem como objetivos promover:

■a formação continuada de professores e de instrutores de Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.
■a formação continuada de professores para o ensino de Língua Portuguesa como segunda língua para surdos.
■a inclusão da Libras nas escolas brasileiras como componente curricular para alunos surdos e ouvintes.
■a formação continuada de tradutor e intérprete de Libras para atuação nas escolas de educação básica.
■a oferta de atendimento educacional especializado dos alunos com surdez ou com deficiência auditiva.
■a produção de material didático na perspectiva bilíngüe.
■a convivência entre pessoas com surdez e pessoas ouvintes.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Como lidar com a pessoa com Deficiência Auditiva


Para não cometermos nenhuma gafe com as pessoas portadoras de deficiência auditiva, abaixo estão algumas dicas da Revista Sentidos.

Iniciar a comunicação com surdos pode parecer mais fácil do que com outros tipos de pessoas com deficiência, mas a chance de se parecer mal-educado é bem grande.

Seja expressivo ao falar: como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos e o movimento do seu corpo serão excelentes indicações do que você quer dizer.

Quando falar com uma pessoa surda, tente ficar num lugar iluminado.

Evite ficar contra a luz(de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta ver o seu rosto.

Se você souber alguma linguagem de sinais, tente usá-la.

Se a pessoa surda tiver dificuldades em entender, avisará.

De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas.

Fonte: Revista Sentidos

VEJAM MAIS SOBRE DEFICIENTES AUDITIVOS NO SITE : http://deficienteciente.blogspot.com/search/label/Relacionamento%20e%20Comportamento

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Aceitar a perda auditiva é o primeiro passo para ouvir bem



Procurar ajuda especializada e usar o aparelho contribui para adaptação mais rápida

Se a audição é o sentido que se desenvolve mais rapidamente no ser humano, a sua perda é gradativa e tem tratamento se identificada precocemente. Mas a falta de informação e o preconceito fazem com que a maioria demore para procurar ajuda especializada.

“Quanto mais cedo a pessoa procurar ajuda e aceitar, principalmente, o uso do aparelho auditivo, mais estimulada a audição e o paciente vai encontrar menos problemas na adaptação à nova condição”, destaca a fonoaudióloga do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES), Renata Mary de Souza Carrilho. “Quanto mais for usado o aparelho, mais são estimuladas as células do ouvido.”


Ainda de acordo com a fonoaudióloga, o uso do aparelho contribui para que não ocorra atrofia do nervo auditivo. A audição está intimamente ligada à fala. Assim a surdez pode levar à tonalização da fala, que se torna monótona e acentualizada em algumas palavras.

“Ouvir é diferente de entender. Com o aparelho a pessoa precisa começar a compreender um novo mundo sonoro que se revela. Como cada indivíduo responde ao aparelho de forma diferente, para que haja um equilíbrio é preciso que a capitação de sons graves ou agudos seja percebida”, explica Carrilho. Se um paciente com deficiência auditiva não usar o aparelho, de acordo com a fonoaudióloga, com certeza o entendimento sonoro dele também vai desaparecer.

O aparelho auditivo é um direito reservado por lei no Brasil e é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas, segundo a fonoaudióloga, muitas pessoas não conhecem esse direito. “Muita gente diz que não sabia que não precisava pagar pelo aparelho quando chega até nós”, afirma Renata Carrilho.

Além disso, ela aponta que muitos dos pacientes que começam a utilizar o aparelho, não voltam para dizer como tem sido o dia-a-dia com o novo “companheiro”. “Nem todos podem utilizar o aparelho menor, que é colocado no interior do ouvido, porque é o indicado para casos mais fracos de deficiência”, diz Carrilho.

Mas hoje, de acordo com ela, embora o SUS não cubra a customização, a tecnologia nesse campo é grande e são muitas as opções de cores e formatos, por exemplo.

Em relação à adaptação, as crianças se saem melhor com o uso do aparelho do que jovens e adultos, de acordo com a psicóloga do ILES, Vera Lucia Diogo Lima. “Quanto mais velha, mais vergonha a pessoa tem de usar o aparelho. Mas o melhor tratamento para esses casos é o conhecimento e o fortalecimento da autoestima”, afirma.

Mãe de um filho com surdez moderada, Vera Lúcia compartilha com os pacientes muito do que ela viu o filho fazer para driblar a falta de informação e o preconceito. “É preciso aceitar a brincadeira. Quando alguém olhar o aparelho e perguntar o que é, ou apenas apontar, informe! Porque assim a pessoa vai se familiarizar e até se identificar”, ensina.

Serviço: Instituto Londrinense de Educação de Surdos - Centro Audiológico Profª Rosalina Lopes Franciscão. Rua Madre Tonina Ugolini, 35 Bairro Boa Vista. Fone: (43) 3325-7054.

Sons agudos desaparecem primeiro

Mais de 15 milhões de brasileiros têm problemas de audição, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Neste balanço estão incluídos os 12 millhões com mais de 65 anos que sofrem algum grau de perda auditiva. Nestes casos, o déficit de audição pode ocorrer por causa de mudanças degenerativas naturais do envelhecimento, como a morte das células ciliadas da orelha interna.


Os primeiros sintomas geralmente se apresentam no “sumiço” dos sons agudos. “A pessoa não deixa de escutar tudo de uma vez. Geralmente os sons agudos são os primeiros a sumir e o paciente deixa de entender partes da fala de outras pessoas”, explica a fonoaudióloga Renata Mary de Souza Carrilho. “Quanto mais tempo a pessoa deixa de procurar ajuda, pior e mais acelerada a perda pode ficar.”

Mas não é apenas o aumento da idade que causa a morte das células ciliadas do ouvido. O uso de fones com som muito alto, por exemplo, mesmo em jovens, também pode levar à deficiência auditiva. “O ouvido possui mecanismos de proteção que são acionados quando expostos a sons muito altos. A repetição destes sons de forma contínua agride as células e pode favorecer a perda auditiva”, destaca.

Se aceitar é indispensável ao surdo

Viver com surdez é um desafio diário, mas de acordo com a psicóloga Vera Lucia Diogo Lima, a condição deve ser encarada como uma verdade desafio. “A pessoa tem que ser, sobretudo, muito forte. Se impor e aproveitar as oportunidades que surgem para informar um número cada vez maior de pessoas de que a surdez não é um limitador intelectual”, afirma a psicóloga. “Não se ofender com olhares e perguntas é fundamental.”

Vera Lúcia ressalta ainda que, embora num primeiro momento os pais se sintam enlutados, o apoio e a resignação de que o surdo tem um lugar no mundo e uma comunidade da qual ele faz parte, é uma atitude indispensável no fortalecimento da autoestima do indivíduo com a surdez. “O surdo precisa se assumir como tal, afinal, é na diferença que está a graça do mundo”, afirma a psicóloga.

ILES atende com escola e clínica O Instituto Londrinense de Educação de Surdos é referência no tratamento de casos de alta complexidade de doenças auditivas, não apenas no Paraná, como em todo o Brasil, devido à tecnologia disponibilizada para o diagnóstico, tratamento e reabilitação de perda auditiva em crianças, adultos e pacientes com patologias associadas, como síndromes genéticas, cegueira, visão subnormal e perdas auditivas unilaterais.

Criado há 50 anos pelos professores Rosalina Lopes e Odésio Franciscão, o instituto possui uma clínica que presta atendimento pelo SUS e uma escola estadual, que atende alunos surdos e com deficiência auditiva. Ambos funcionam com o apoio do poder público e da comunidade londrinense.

Nascido da inexistência de escolas especializadas no ensino de surdos, o ILES oferta ainda cursos de LIBRAS e a clínica médica realiza o Teste da Orelhinha em recém-nascidos na Maternidade Municipal, efetua diagnóstico e terapia especializada às pessoas com risco ou suspeita de perda auditiva, e pessoas portadoras de deficiência auditiva.

Fonte: http://portal.rpc.com.br

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

OUVIDO BIONICO DEVOLVE AUDIÇÃO


23/11/2009 - 11h25
Ouvido biônico devolve audição
VEJAM MAIS SOBRE IMPLANTE COCLEAR EM : http://www.implantecoclear.com.br/

São Paulo - Diana Ladeira, de 50 anos, voltou a ouvir um som no fim do ano passado, depois de 34 anos em silêncio total. Caroline Pupo Palomares se espantou ao ouvir o barulho de um caminhão aos 15 anos. E Lara Migliane escapou do vácuo auditivo aos 5 anos. As três receberam o implante coclear, um aparelho que devolve a audição a pessoas que se tornaram surdas há muito tempo ou nasceram com o problema.

No começo do mês, o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) comemorou o implante de número 500. Desde que o procedimento passou a ser feito pelo Sistema Único da Saúde (SUS), em 1999, cerca de 3 mil pessoas voltaram a ouvir.

O implante coclear, ou o ouvido biônico, é um equipamento computadorizado que é implantado dentro da cóclea. Ele capta os sons de fora e os transforma em sinal elétrico, que é interpretado no cérebro como estímulo sonoro. O som não é o mesmo ouvido por uma pessoa normal. "Os pacientes dizem que ouvem uma voz meio robotizada", diz o chefe da Divisão de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas (HC), Ricardo Bento. "Mas é questão de adaptação." Que não é algo simples. Nos dois casos - pacientes que recuperam a audição após anos e pessoas que nunca ouviram - é necessário adquirir ou recuperar a memória auditiva.

Adaptação

"O implante abre as "portas" para os sons entrarem, mas quem "aproveita" é o cérebro", diz Valéria Goffi, coordenadora de Fonoaudiologia do Hospital das Clínicas. Ela explica que, nos surdos, a parte do cérebro responsável pela audição para de funcionar e precisa ser ativada. "É preciso viver experiências auditivas. Ouve o latido do cão e pergunta o que é. Depois de três vezes, a informação é assimilada", afirma Valéria. Por isso que o implante é mais indicado para crianças de até 2 anos de idade, que ainda estão em formação. "Não é mágica. É um processo", diz ela. As informações são do Jornal da Tarde.

AE

do UOL Ciência

sábado, 10 de outubro de 2009

Falar com as mãos . É possível ?


O VALOR DA FALA NAS AULAS COM SURDOS
A professora de Geografia Marilda Dutra, de São José, na Grande Florianópolis, aprendeu rápido que o uso
do quadro-negro precisa ser revisto. Acostumados com a comunicação oral, os alunos com deficiência têm maiores dificuldade para ler. "Quando escrevo,
é mais difícil perceber quem entendeu. Se explico,
vejo no rosto de todos (dos que escutam e não) se estão acompanhando. Desenho e gesticulo o quanto precisa.". Foto: Eduardo Lyra
Levar os surdos para a sala regular exige nova postura do professor, tato para lidar com o intérprete e, acredite, muitas explicações orais

A inclusão de crianças com deficiência auditiva sempre foi polêmica, mas recentemente ganhou um novo rumo em nosso país.

vejam mais em : http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/falar-maos-432193.shtml

De acordo com a política do governo federal, elas não devem mais ficar segregados nas escolas especiais e precisam estudar desde cedo em unidades comuns, com um intérprete que traduza todas as aulas para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o contraturno preenchido por atividades específicas para surdos. Problema resolvido? Nem de longe. Enquanto entidades do setor ainda denunciam a falta de estrutura para a implementação das regras (leia o quadro na página 74), os docentes já começam a receber parte dessa nova clientela e estão criando formas próprias de trabalho - muitas com sucesso.

Não é uma tarefa fácil nem existe uma fórmula conceitualmente correta para lidar com a situação. Cada caso é um caso (saiba como pedir ajuda no quadro abaixo). A professora de Geografia Marilda Dutra, da EE Nossa Senhora da Conceição, em São José, na Grande Florianópolis, por exemplo, aprendeu uma lição curiosa logo nos primeiros dias de trabalho. Para ensinar quem não ouve, ela tem de falar mais. A maior mudança foi deixar o giz em segundo plano. Cada tipo de relevo, clima e vegetação precisava de fotografias, desenhos, gravuras e muitos exemplos verbais. Em vez de simples mapas, o mundo passou a ser representado em bolas de isopor para facilitar a compreensão dos meridianos.

Conteúdo relacionado

Reportagens
São João traduzido para a Libras http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/sao-joao-traduzido-libras-424486.shtml

Inclusão: você está preparado?

Seleção de livros que abordam temáticas relacionadas a deficiências

As leis sobre diversidade

Aulas planejadas para todos

Tecnologia facilita a aprendizagem

Maria Inês Vieira, coordenadora do Programa de Acessibilidade da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Derdic-PUC), explica o motivo da necessidade de rever o uso do quadro-negro. "Mesmo que o surdo já saiba ler e escrever em português, ele demorará mais para entender orientações por escrito", diz. A especialista ensina que o ouvinte entende a sequência de palavras escritas porque tem uma cultura prévia oral. Já quem não ouve está sendo apresentado ao português como um todo e não conhece a organização da língua. "Os conjuntos de palavras podem não fazer sentido na maneira como ele aprendeu a pensar. É como traduzir apenas as palavras de um texto em alemão ou chinês. Não é o suficiente para a compreensão do todo", diz.

Em Florianópolis, a professora de Matemática Silvana Maria Soster teve outra reação no início do ano passado, quando foi informada pela direção da EM Luiz Cândido da Luz que uma de suas classes da 2ª fase do ciclo 2 (equivalente ao 5º ano, mas já com um docente por disciplina) teria quatro alunos surdos. "Tomei um susto. Nunca tinha passado por isso e pensei: será que posso?", conta. Para Roseli Baumel, educadora livre-docente especializada em Educação Especial da Universidade de São Paulo (USP), esse tipo de dúvida é natural. "Temos de ser honestos e admitir que não estamos prontos", orienta a especialista.

Recebi um aluno surdo. E agora?

Peça ajuda.
Esse é o conselho da professora livre-docente Roseli Baumel, da Faculdade de Educação da USP. Ela divide esse S.O.S. em quatro partes:

Família
A participação da família ajuda em qualquer caso, mas, se o aluno é surdo, a conversa precisa ser mais constante e aprofundada. Descubra como é a comunicação em casa, desde a linguagem utilizada até o que mais chama a atenção da criança.

Entidades
Procure apoio em uma instituição que atenda os deficientes, como o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), no Rio de Janeiro. Muitos oferecem aulas de libras e dicionários da língua e auxiliam na escolha de materiais para facilitar o aprendizado. Enquanto a escola não tem sala de apoio, algumas ONGs podem dar aulas de libras e reforço às crianças no contraturno.

Professores Converse com outros docentes do aluno, de disciplinas diferentes ou anos anteriores. Procure repetir experiências de sucesso e pergunte também o que não funcionou para evitar os mesmos erros. Busque exemplos em outras unidades de ensino. "É preciso debater o ensino, fazer encontros e trocar informações", diz Roseli.

Governo
Os alunos têm direito a um intérprete, e a escola, a materiais apropriados e a uma sala multidisciplinar. O governo também deve oferecer cursos de libras para os professores. As aulas devem ser dadas em faculdades que fazem convênio com o Ministério da Educação. Além disso, unidades com mais de 100 alunos podem pedir recursos para a montagem de uma sala de apoio pelo Programa Escola Acessível. Informações podem ser obtidas pelo telefone 0800-61-6161.
Recursos diferenciados para a turma heterogênea


OBJETOS VARIADOS AJUDAM A ENSINAR A professora Silvana Maria, de Florianópolis, levou um susto quando soube que receberia quatro alunos surdos. Hoje, ela não só ensina para os estudantes com deficiência como também aplica parte da metodologia diferenciada, enriquecida por materiais diversos, nas salas só com ouvintes. "As dificuldades dos outros meninos são iguais. Apenas achei mais uma forma de resolvê-las". Foto: Eduardo MarquesPassado o receio inicial, Silvana percebeu com o tempo que quase tudo precisava ser adaptado: a postura, a maneira de falar, a avaliação e, principalmente, os materiais. "Uma pessoa que cresceu sem escutar aprende por observação. Ela precisa ver, montar e perceber os conceitos de forma concreta", diz Roseli. Foi assim, com aulas visuais e exemplos palpáveis, que conseguiu lecionar. Usou material emborrachado, quadrados, cubos, jogos, dados e desenhos. Ensinou adição com objetos que se agrupavam. Para a multiplicação, dividiu os próprios alunos da sala em quadrados desenhados no chão: três turmas de quatro igual a 12, cinco grupos de cinco crianças resultavam em 25. As frações foram entendidas com círculos desenhados na mesa em formato de pizza: com dois pedaços do total de oito, se faz um quarto. Até a probabilidade ficou mais fácil com uma boneca de papel e várias roupas para combinar.

No entanto, mesmo com materiais diferenciados e maior número de explicações orais, um cuidado essencial deve ser tomado para garantir um trabalho de sucesso. O educador precisa se policiar para não fazer duas versões da aula - uma para os alunos que escutam e outra para os deficientes auditivos. Como explica Ronice Muller, coordenadora do primeiro curso de licenciatura Letras-Libras do país, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a base da inclusão é a integração total entre os alunos. "A escola deve se tornar bilíngue. Os colegas têm de aprender Libras, afinal, no futuro, eles vão falar com os surdos inclusos na sociedade", afirma.

Para isso, professores da língua de sinais devem dar aulas aos ouvintes e incentivar trabalhos em grupo. Foi o que aconteceu em Irará, cidade de 25 mil habitantes a 128 quilômetros de Salvador. A EM São Judas Tadeu começou a receber surdos em 2005. Além dos professores, as turmas em que os deficientes auditivos são matriculados recebem noções de libras. "As crianças aprendem rápido e, em vez de ficar com preconceito, logo ajudam os professores a entender o que os colegas surdos dizem", explica o diretor da unidade, Márcio Jambeiro.

A falta que os intérpretes fazem

No ano passado, dos 64.150 alunos surdos recenseados pelo Ministério da Educação no Brasil, 54% estavam em classes regulares. Mas o primeiro levantamento que cruzará o número de intérpretes com as matrículas dos deficientes auditivos só deve ser feito este ano. Mesmo antes da divulgação dos resultados, especialistas e autoridades imaginam o que ele dirá: não há profissionais suficientes.

É por causa da carência que entidades do setor ainda defendem as escolas especiais segregadas até o fim do Ensino Fundamental. Em muitas unidades de ensino regulares, alunos surdos ainda estudam sem intérpretes, o que revolta integrantes da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis). "A inclusão não está funcionando", diz o diretor da entidade em São Paulo, Neivaldo Augusto Zovico. "Os professores estão despreparados e as secretarias de Educação não contratam intérpretes. Os alunos acabam frustrados por não entender nada e desistem", reclama.

A coordenadora do Programa de Acessibilidade da Derdic-PUC, Maria Inês Vieira, defende o mesmo ponto de vista. "Acredito em inclusão na sociedade, mas não na Educação Básica", diz. Ela explica que, para o aluno surdo, o português é uma segunda língua e deveria ser ensinado após a primeira, libras.

A diretora de Educação Especial da Secretaria de Educação Especial do MEC, Martinha Dutra, afirma que a inclusão total é uma questão de tempo. "Faltam profissionais porque tudo é muito novo. A própria regulamentação do intérprete no Ministério do Trabalho ainda está em curso, mas isso vai ser acelerado com a multiplicação do conhecimento de libras", argumenta.

Pela nova perspectiva de trabalho das autoridades, as instituições especializadas deixam de receber verbas por crianças atendidas de maneira segregada, em escolas especiais.

No novo modelo, essas entidades devem usar a experiência acumulada para ajudar a inclusão na rede pública, em contratos com estados e municípios, por exemplo. Outro fator que incentiva essa modernização é um decreto federal, assinado em 2008, que dobra o valor do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) para alunos com deficiência inclusos na rede regular, se atendidos pelo contraturno público e estudando regularmente com intérprete, como manda a lei.
Conversas animadas, mas sem sons nem gritos


LIBRAS TAMBÉM PARA QUEM ESCUTA Na EM São Judas Tadeu, em Irará, a 128 quilômetros de Salvador, as aulas oferecidas pelos tradutores eram anunciadas nos corredores para que estudantes e docentes pudessem se organizar e participar. A adesão foi grande. "Vinham professores e alunos. Às vezes, também um porteiro ou o diretor", conta a intérprete Edma Oliveira dos Santos. Hoje, é comum ver alunos surdos e ouvintes conversando normalmente no pátio. Foto: Fernando VivasOs cursos de libras para ouvintes começaram explorando os horários livres dos intérpretes. As aulas dos tradutores eram anunciadas nos corredores e na sala dos professores para os interessados. Havia opções em vários dias e em horários diferentes. Assim, os estudantes ouvintes que aprendiam o básico começavam a prestar atenção nos movimentos do intérprete em sala, ouvindo ao fundo a voz do professor e decorando as palavras.

No fim das aulas, era comum ver estudantes tirando dúvidas sobre as lições. "Hoje, as crianças que estudam em salas com surdos se comunicam bem com eles. Mesmo no intervalo, você anda pelos corredores e vê todos conversando em libras fluentemente."

A fase adiantada em que se encontra a inclusão na cidade baiana mostra que boas iniciativas podem prosperar mesmo fora das grandes capitais. Muito desse sucesso se deve a 20 anos de dedicação de uma professora. Nos anos 1980, Edma Olivera dos Santos dava aula para o Ensino Fundamental em uma escola rural multisseriada, quando recebeu um aluno surdo. "Na época, a orientação era falar devagar e esperar que eles aprendessem a leitura labial. Percebi que não ia funcionar e comecei a sinalizar, eles sinalizaram de volta e assim foi", lembra.

Com o passar dos anos, ela aprendeu libras e começou a ser procurada por todos os pais de surdos de Irará. Quando o governo instituiu que os deficientes auditivos deveriam estudar em escolas regulares, ela se tornou intérprete de seus ex-alunos na EM São Judas Tadeu. "Tenho orgulho de dizer que eles estão entre os melhores em todas as turmas", afirma.

Mesmo com experiências pioneiras em desenvolvimento no Brasil, especialistas, autoridades e docentes reconhecem que ainda há dificuldades e falhas. Faltam experiência e, na maior parte do país, material adequado, salas de apoio e intérpretes. A maioria dos surdos só aprende Libras quando vai para escola e, até que se tornem fluentes no idioma, não entendem os intérpretes e podem perder o interesse. A recomendação de Edma a qualquer colega que receber um aluno surdo é que enfrente o desafio. "Para eles, a escola é ainda mais importante. Quando um deficiente auditivo aprende a escrever, vai ao médico sozinho e bota no papel: eu estou com dor de cabeça. O professor tem em mãos a grande chance de dar autonomia a uma pessoa."

Quer saber mais?

CONTATOS
Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, R. Dra. Neyde Apparecida Sollitto, 435, 04022-040, São Paulo, SP, tel. (11) 5908-8000
EE Nossa Senhora da Conceição, R. João Grumiché, 805, 88108-100, São José, SC, tel. (48) 3247-8195
EM Luiz Cândido da Luz, SC-403, km 3, 88070-220, Florianópolis, SC, tel. (48) 3269-6636
EM São Judas Tadeu, R. Pedro Portela, s/nº, 44255-000, Irará, BA, tel. (75) 3247-3827
Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, R. Santa Sofia, 139, 20590-140, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2567-4880
Instituto Nacional de Educação dos Surdos, R. das Laranjeiras, 232, 22240-001, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2285-7284
Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, Esplanada dos Ministérios, bl. L, 6º andar, 70047-900, Brasília, DF, tel. 0800-616161

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

CONCURSOS ABERTOS NAS ÁREAS DE DEFICIENCIA VISUAL E AUDITIVA



VEJAM MAIS SOBRE CONCURSOS ABERTOS NAS ÁREAS DE DEFICIENCIA VISUAL E AUDITIVA EM : http://www.aocp.com.br/concurso.jsp?id=180 e http://www.aocp.com.br/concurso.jsp?id=181

A Diretora Geral do Instituto Benjamin Constant no uso de suas atribuições legais e, torna público a realização do Concurso Público, destinado ao provimento de 10 vagas de cargos efetivos,sendo 04 vagas de nível médio e 06 vagas de nível superior.

O Diretor Geral do Instituto Nacional de Educação de Surdos, no uso de suas atribuições legais torna público que estão abertas as inscrições para concurso público para vagas de cargos efetivos docentes e Técnicos Administrativos em Educação.