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sábado, 26 de dezembro de 2009

Erva-mate - Um poderoso estimulante físico e mental


Os conquistadores europeus descobriram que os índios bebiam uma espécie de chá feito com uma erva, que os índios chamavam de caá-i,que significa “água saborosa” em guarani.

Os colonizadores espanhóis que ocuparam o sul do continente americano,ficaram impressionados ao se depararem pela primeira vez com as tribos de índios guaranis que habitavam a região onde hoje fica a fronteira entre o Paraguai e o Brasil. É que eles notaram que estes índios eram mais fortes e mais bem dispostos que as outras tribos que já tinham conhecido. Os conquistadores europeus descobriram que os índios bebiam uma espécie de chá feito com uma erva, que os índios chamavam de caá-i,que significa “água saborosa” em guarani. Os índios atribuíam a esta erva, poderes milagrosos e diziam que ela tinha sido criada por Tupã, o deus maior da mitologia indígena.

Esta erva, que já era usada pelos índios e foi descoberta pelos espanhóis, era a erva-mate,que hoje é conhecida e bebida em todo o Brasil e em países do Cone Sul, seja como chá,no tradicional chimarrão,no tereré(espécie de chimarrão com água fria, muito popular no Mato Grosso e no Paraguai) ou como uma refrescante bebida gelada no verão das cidades brasileiras. Hoje a erva-mate se espalhou pelo mundo e é bebida em vários países da Europa, nos Estados Unidos e até no Oriente.

O mate, como é popularmente conhecida a erva, possui uma grande quantidade de nutrientes, como cafeína, metilxantina, teofilina e teobromina, ácido fólico, ácido pantotênico, as vitaminas A, B1, B2, C e E, sais minerais (alumínio, cálcio, fósforo, ferro, magnésio, manganês e potássio), proteínas ,frutose, glucose, rafinose e sacarose, óleos essenciais além de celulose, dextrina, sacarina e gomas.

Estudos comprovam que a erva-mate é um estimulante da atividade física e mental, beneficiando os nervos e músculos e combatendo a fadiga. Atua sobre a circulação, acelerando o ritmo cardíaco e harmoniza o funcionamento bulbo-medular. Facilita a digestão, favorece a evacuação e é considerada ainda um ótimo remédio para pele.

Atua ainda como reguladora das funções do coração e da respiração, além de exercer importante papel na regeneração celular. E tem uma vantagem,pois apesar de possuir cafeína, o consumo de erva-mate não traz os efeitos que ocorrem em algumas pessoas com a ingestão de café por exemplo, que são a insônia e a irritabilidade.

Por Marco de Cardoso

O QUE O CÉREBRO ENSINA AS MÁQUINAS


Com capacidade de sentir, perceber e interagir, órgão serve de modelo; tecnologia artificial deve ficar mais humana

por Rafael Cabral

147.456 processadores, 143 terabytes de memória, 6.675 toneladas de aparelhos de ar condicionado, milhões de watts de energia elétrica e quase 4 mil metros quadrados de área. É esse o tamanho do maior cérebro artificial do mundo, construído no laboratório de inovação IBM, na Califórnia. Os números podem impressionar, mas o Blue Gene/P consegue simular apenas o cérebro de um gato (e, ainda assim, de forma simplificada). Os robôs ainda passam longe da mente humana: o supercomputador não consegue imitar nem 1% dela. É, robôs ainda têm um bocado para aprender.

A maior dificuldade em um projeto de engenharia reversa do córtex é também a mais óbvia: como reconstruir algo que não sabemos ao certo como funciona? Fundindo as máquinas mais velozes do mundo à nanotecnologia e à neurociência, as simulações, hoje, não passam de aproximações. Rascunhos que, como no tal cérebro mecânico do gato, ignoram estruturas e conexões do órgão real.

“A capacidade computacional da mente é absurda. Por isso, criamos um modelo para tentar entendê-la”, defende-se o cientista indiano Dharmendra Modha, chefe do setor de computação cognitiva da IBM e criador do projeto. Para ele, “o cérebro é um paradigma”, pois “consegue sentir, perceber, interagir, lidar com ambiguidade e entender contextos” e, mesmo assim, “usar menos energia do que uma lâmpada e ocupar um espaço mínimo”.

TECNOLOGIA COMO CIÊNCIA
Impensável antes da descoberta da estrutura do DNA, em 1953, a compreensão da mente em termos biológicos é o principal desafio da ciência do século 21. É a possibilidade de entender, finalmente, os caminhos da aprendizagem, da percepção, das lembranças e da consciência, e também a fronteira do livre-arbítrio (afinal, a mente também tem lá seus limites).

Mas e a meta da tecnologia, qual é? Ao que tudo indica, é tentar seguir esses mesmos passos. Mesmo com poder de arquivamento enorme, as máquinas ainda são incapazes de fazer o feijão-com-arroz da mente: pensar, sentir, adaptar-se.

“Não há máquina que tenha visão crítica e ativa da realidade, que generalize e entenda contextos. A nova computação deve evoluir imitando o cérebro”, decreta Miguel Nicolelis, chefe do setor de neurociência da Universidade de Duke. O futuro da tecnologia artificial é se tornar um pouco mais humana.

HOMEM-ROBÔ
Se você pensou em um ciborgue retrô da ficção científica, tão dominado pela tecnologia que perdeu a humanidade, esqueça-o. As interfaces homem-robô há tempos já saíram da imaginação dos escritores para entrar na realidade de pesquisadores.

Os projetos são inúmeros e promissores. Vão de ideias úteis, como uma cadeira de rodas que permite que pessoas paralisadas a controlem apenas com o pensamento, da Toyota, até aparentes besteiras, como um capacete que transforma impulsos cerebrais em tweets (apenas aparente, porque pode significar um avanço para pessoas paralisadas com atividade mental perfeita).

O próprio Miguel Nicolelis confia na integração mente-máquina para seu projeto mais ambicioso: levar impulsos cerebrais de quadriplégicos a uma estrutura robótica e devolver-lhes o movimento.

Até o consumo deve ser afetado, como mostra uma pesquisa do Intel Labs, de Pittsburgh, que tem o objetivo de “ensinar as máquinas a entender um algoritmo daquilo que pensamos”, nas palavras do cientista Dean Pomerleau, cabeça do projeto. A intenção é que, a partir disso, sejam desenvolvidas “interfaces mais ricas que as de hoje”, que seriam controladas sem dispositivos.

Aposentar controle remoto, mouse e teclado, além de dar uma esperança para quem perdeu os movimentos, são só algumas das promessas dessa área que não sabe mais se é ciência ou tecnologia (e nem precisa mais).

Robô tenta decifrar como a mente funciona
Montar um cérebro artificial, peça por peça, para finalmente entender como a mente real funciona. É esse o objetivo do projeto desenvolvido pela IBM, financiado pelo Departamento de Defesa dos EUA. Criticado por tentar reduzir um universo de conexões a uma série de padrões e por afirmar que reconstruiria as ações do córtex até 2019, o projeto foi tachado de “ação publicitária” por boa parte da comunidade científica. Coordenador do Blue Brain, uma pesquisa semelhante, o cientista Henry Markram chamou a ideia rival de “uma brincadeira que nenhum neurocientista sério irá acreditar”.

O brasileiro Miguel Nicolelis realmente não acredita. “Esse é um projeto duvidoso. Já participei de uma mesa redonda com o pessoal da empresa e acho que eles perderam completamente a razão. Eles estão usando padrões da neurociência do século 20 e ignorando as inovações”, afirma o neurocientista.

A IBM, no entanto, segue firme no projeto, carro-chefe do seu laboratório de inovação, em Almaden, na Califórnia. Combinando a neurociência e a nanotecnologia, a empresa espera em longo prazo “demonstrar os algoritmos da mente e desenvolver compactos computadores que se aproximem dessa inteligência”, nas palavras do idealizador da ‘mente recriada’, o indiano Dharmendra Modha.

O fim de teclados e mouses
Mapear o cérebro e entender suas reações para, depois, desenvolver uma interface que acabaria com a necessidade de
um equipamento físico para controlar a televisão ou o computador. É esse o objetivo de uma pesquisa em curso no Intel Labs. “Ao decodificar o cérebro, conseguiremos desenvolver interfaces integrando a tecnologia aos nossos pensamentos”, diz Dean Pomeleau, responsável pela ideia.

Interface homem-máquina
A fusão entre o cérebro humano e as máquinas é uma das grandes promessas da ciência atual. Rastreando as ondas cerebrais e transportando-as para um dispositivo robótico, pesquisas no mundo todo desenvolvem protótipos como uma cadeira de rodas que dá autonomia aos quadriplégicos e um sistema de escrita que lhes devolve a palavra (que vem direto do cérebro). O homem-robô não é mais uma ficção.

domingo, 14 de junho de 2009

Qual é o sexo do seu cérebro?


Qual é o sexo do seu cérebro? VEJAM MAIS EM : http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI65446-15224,00-QUAL+E+O+SEXO+DO+SEU+CEREBRO.htmlhttp://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI65446-15224,00-QUAL+E+O+SEXO+DO+SEU+CEREBRO.html
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http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI65446-15224,00-QUAL+E+O+SEXO+DO+SEU+CEREBRO.html

As diferenças no corpo de homens e mulheres estão além da aparência e dos órgãos sexuais. A ciência detectou que até o cérebro apresenta características femininas ou masculinas. Essa diferença neurológica gera diferenças de comportamentos, sentimentos e modos de pensar entre homens e mulheres.

Você consegue saber se seu amigo está triste ou irritado só de olhar para ele? Essa é uma característica de um cérebro feminino. Mas um homem também pode ter essa sensibilidade e outros comportamentos geralmente ligados a um cérebro feminino. Isso porque a sexualidade cerebral não está ligada diretamente ao sexo do corpo. “O sexo do cérebro é determinado pela quantidade de testosterona [hormônio masculino] a que o feto fica exposto no útero. Em geral, homens recebem doses maiores do que as mulheres. Mas isso varia e nós ainda não sabemos exatamente por quê”, diz a ÉPOCA a neuropsicologista Anne Moir, da Universidade de Oxford, na Inglaterra.



A diferença entre o cérebro dos dois gêneros tem raízes evolutivas. Segundo Moir, durante o desenvolvimento dos seres humanos, como o homem era o caçador, desenvolveu um cérebro com habilidades manuais, visuais e coordenação para construir ferramentas. Por isso, um cérebro masculino tem mais habilidades funcionais. Já as mulheres preparavam os alimentos e cuidavam dos mais novos. Elas tinham que entender os bebês, ler sua linguagem corporal e ajudá-los a sobreviver. Elas também tinham que se relacionar com as outras mulheres do grupo e dependiam disso para sobreviver na comunidade e, por isso, desenvolveram um cérebro mais social. Os homens, por sua vez, lidavam com um grupo de caçadores, não precisavam tanto um do outro e se comunicavam menos, apenas com sinais.

Moir acredita que a diferença de sexo entre cérebro e corpo pode estar ligada às causas do homossexualismo. “Se a concentração de testosterona no útero está mais baixa do que o padrão para os homens, então o 'centro sexual' do cérebro será feminino e esse homem sentirá atração por outros homens. Se a concentração desse hormônio estiver alta, o 'centro sexual' será masculino e ele sentirá atração por mulheres”, diz Moir.



Faça o teste


Moir está desenvolvendo uma linha de pesquisa para entender melhor as diferenças neurológicas entre homens e mulheres e, para isso, desenvolveu um teste que mostra numa escala de 1 a 20 qual é o sexo do cérebro. O número 1 representa o cérebro mais masculino possível e o 20, o mais feminino. Quem se aproxima do 10 tem um cérebro misto. Segundo Moir, esse último caso é muito comum em suas pesquisas.

Além do teste, outro fator que pode mostrar o sexo do cérebro de uma pessoa, segundo os estudos de Moir, é a medida dos dedos das mãos. Segundo os estudos da inglesa, geralmente, quem tem cérebro masculino tem o dedo indicador menor que o anelar (olhando para a mão de frente para a palma). Já cérebros femininos são associados a dedos indicadores do mesmo comprimento que os anelares. Mas isso não é uma regra sem exceção, como praticamente tudo na biologia. A pesquisadora diz que, às vezes, uma mesma pessoa tem uma mão nos padrões do cérebro masculino e outra do feminino e isso exige mais estudos para entender a organização do cérebro.