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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Compreendendo o TDAH – Como lidar bem no lar e na escola


VEJAM MAIS EM : http://www.abpp.com.br/artigos/33.htm


Viviane dos Santos Teixeira

Resumo


Este texto tem como objetivo orientar pais e educadores sobre como lidar com os crianças e adolescentes que possuem o Transtorno de Déficit de Atenção /Hiperatividade.
Inclui informações básicas sobre o transtorno e dicas de como lidar com os portadores tanto no ambiente doméstico quanto na ambiente escolar.




Compreendendo o TDAH

O transtorno do déficit de atenção / hiperatividade é um transtorno de desenvolvimento do autocontrole que consiste em problemas com os períodos de atenção,com o controle do impulso e com o nível de atividade. Esses problemas são refletidos em prejuízos na vontade da criança ou em sua capacidade de controlar seu próprio comportamento relativo à passagem do tempo – em ter em mente futuros objetivos e conseqüências. Não se trata apenas de estar desatento ou hiperativo. Não se trata apenas de um estado temporário que será superado,de uma fase probatória, porém anormal, da infância. Não é causado por falta de disciplina ou controle parental.
O TDAH é um transtorno real, um problema real e um obstáculo real que pode ser um desgosto e uma irritação.
O TDAH é um problema para toda a vida,crônico na maioria dos casos,causando dificuldades tanto para o garoto que vai a escola quanto para o adulto que é casado, tem filhos e trabalha.
Em geral, os sintomas são basicamente os mesmos,expressando-se de forma parecida nas diferentes etapas da vida: o aluno que não presta atenção ao que a professora diz e o marido que parece não escutar o que a mulher está contando; a aluna que não para sentada um minuto sequer e a profissional que vive arranjando coisas para fazer e se movimentar o tempo todo; o garoto que responde a pergunta sem ler até o final porque é impulsivo e o marido que decide as coisas sem consultar a esposa.( MATTOS,2003)
Pais e professores freqüentemente descrevem as crianças com TDAH das seguintes maneiras:

“ Meu filho parece não ouvir.”
“ Ele é “pavio curto”, as capacidade para “engolir sapos” é reduzida mesmo quando isso é vantajoso para ele”
“ Minha criança não termina tarefas que lhe são designadas”
“ Meu aluno parece ler de forma automática e apesar de ter a compreensão correta das palavras não entende o texto e não memoriza fatos importantes”
“Meu filho sonha acordado”
“ O início da brincadeira parece sempre ser empolgante e interessante,mas logo essa brincadeira se torna chata”
“ Minha filha perde coisas com freqüência”
“ Minha criança não consegue concentrar-se e distrai-se com facilidade”
“ Meu filho não consegue trabalhar de forma independente,se não for supervisionado”
“ Ele muda de uma atividade incompleta para outra.”
“Ela é freqüentemente confusa ou parece estar num nevoeiro”.

Tudo isso refere-se a problemas relacionados a atenção e concentração.
Pessoas com TDAH tem problemas para fixar sua atenção em coisas por mais tempo que outras.

Elas lutam com tenacidade para manter sua atenção em atividades mais longas que as usuais,especialmente aquelas mais maçantes, repetitivas ou tediosas. Tarefas escolares desinteressantes,atividades domésticas extensas e palestras longas são problemáticas,assim como leituras extensas,trabalhos desinteressantes,prestar atenção a explicações sobre assuntos desinteressantes e finalizar projetos intensos.(BARKCLEY,2002)
A medida que as crianças crescem ,esperamos que elas se tornem aptas a fazer tais coisas.Quanto mais velhas ficam ,mais devem ser capazes de realizar tarefas necessárias ,porém desinteressantes. Aquelas com TDAH irão ficar atrás de outras nessa capacidade.Isso irá exigir que outros participem ,auxiliando a guiar, supervisionar e estruturar seu trabalho e seu comportamento. É fácil então,perceber como freqüentemente emergem conflitos entre as crianças com TDAH e seus pais e professores.

O que os pais podem fazer para ajudar


Geralmente a impressão que a família tem de um lar que possui uma criança com TDAH é que parecem freqüentemente estar num campo de batalhas. A criança geralmente viola as regras,negligência tarefas domésticas,opõem-se as tarefas de casa e definitivamente perturbam a paz. O TDAH não tem cura,mas existem alguns princípios que os pais podem trabalhar com seus filhos para melhorar o comportamento deles,seus relacionamentos sociais e o ajuste geral em casa.
O primeiro passo é informar-se sobre o que realmente é o TDAH,suas causas e como ele se manifesta nas diversas situações do dia- a –dia e nos diferentes lugares que a criança freqüenta. Deve-se aceitar o TDAH como um problema real e procurar se orientar como devem se comportar com seu filho.
Os pais devem ajudar as crianças a entenderem suas dificuldades,uma vez que elas próprias não têm uma boa crítica sobre seu comportamento.
Os conflitos diários, discussões ,argumentos e explosões de humor devem ser reduzidos,pois podem permear as interações diárias – sua e de seu filho.
As normas sobre os comportamentos devem ser claramente estabelecidas. Ou seja,ele precisa de um meio familiar que tenha rotinas,que seja previsível e que especifique exatamente o que é esperado dele. Explique porque as pessoas devem se comportar desta ou daquela maneira,pois isto não é muito evidente na maioria das vezes.Fale das conseqüências de se comportar de modo diferente daquilo que é esperado pelas demais pessoas.

É importante organizar as coisas de modo a ter certeza de que a criança vai conseguir realizar o que está sendo exigido dela. Se não completa os deveres de casa, a meta inicial deve ser que consiga completá-los inicialmente uma ou duas vezes na semana. È importante elogiar a criança sempre que for notado um progresso na atividade que está sendo trabalhada,pois os portadores de TDAH têm dificuldades em perceber a si próprios e também aos outros.
Aprenda a prestar atenção positiva em seu filho, pois a atenção que você dá a criança é uma conseqüência ou recompensa extremamente poderosa. Faça uso de sinais verbais e não verbais de aprovação,como abraços,sorrisos,envolver a criança nos braços,um sinal de positivo com o polegar, use expressões como: “legal”,”bom trabalho”, “ É bom quando você...” “ Fantástico”. Lembre-se nunca faça um falso elogio.
Tenha em mente sempre que toda melhora de comportamento leva tempo e somente o treinamento repetido torna a criança apta a “administrar” seu TDAH.

A escola


Crianças com TDAH têm grandes dificuldades de ajustamentos diante as demandas da escola. Um terço ou mais das crianças com TDAH ficam para trás na escola no mínimo uma série durante sua carreira escolar. Freqüentemente as notas e os pontos acadêmicos conseguidos estarão abaixo das notas e pontos de seus colegas.Complicando este quadro,existe o ato de mais da metade destas crianças com TDAH também apresentam problemas de comportamento opositivo.Isto ajuda a explicar porque algumas destas crianças são suspensas ou até expulsas da escola devido a problemas de condutas.
Infelizmente,muitos professores são desinformados sobre o TDAH ou estão desatualizados quanto ao conhecimento do transtorno e seu controle. Não obstante, quando bem orientados podem auxiliar na mudança de comportamento destas crianças,para melhor,é claro.
O ponto de partida está relacionado à estrutura das salas de aula,pois existem várias características na sala de aula que podem necessitar de ajustes. Um ponto importante é o fato da distribuição das cadeiras em sala de aula.A disposição tradicional das escrivaninhas em filas voltadas para frente da sala é muito melhor do que um arranjo modular onde várias crianças dividem uma mesa grande,especialmente voltadas umas para as outras enquanto trabalham. Esse arranjo proporciona estímulos interacionais excessivos distraindo a criança com TDAH,fazendo com que ela não preste atenção nem no professor nem no trabalho escolar.
A criança deve ser colocada mais perto da mesa do professor ou próxima de onde o professor fica a maior parte do tempo. Isso não apenas desencoraja os colegas de classe a darem atenção a criança,fazendo crescer o comportamento disruptivo,mas também torna mais fácil ao professor monitorar o aluno e aplicá-los multas e recompensas mais rápidas e facilmente.
Uma rotina bem organizada e previsível numa sala de aula, com a disposição de regras pode ser adicionada e é muito útil.
O uso de tarefas com maior estimulação ( cor,forma,textura,etc.) parece reduzir o comportamento disruptivo,aumentar a atenção e melhorar o desempenho total.
O professor deve mudar os estilos de apresentação das aulas,tarefas e materiais para ajudar a manter o interesse da criança,otimizando a atenção e concentração do TDAH.Tarefas que requerem uma resposta ativa como oposição a passividade permitem também que as crianças com TDAH canalizem melhor seu comportamento disruptivo em respostas construtivas.Em outras palavras forneça a criança com TDAH algo a fazer como parte da aula,determine trabalhos ou atividade, e o comportamento da criança passará a ser um problema menor.
Combinar aulas com momentos breves de exercício físico na sala de aula também pode ser útil.Isso reduz a fadiga e monotonia que crianças com TDAH podem experimentar durante períodos muito extensos de trabalho acadêmico.
O professor deve escalar as matérias acadêmicas mais difíceis para o período da manhã e deixar as atividades não-acadêmicas de maior atividades para o período da tarde,pois a habilidade de concentração de uma criança com TDAH e a inibição do comportamento diminui enormemente no decorrer do dia escolar.
Todo professor é um artista ,quando bem orientado certamente será capaz de estabelecer várias adaptações em suas aulas favorecendo o desempenho destes alunos.

SITE EXCELENTE COM BASTANTE ASSUNTO SOBRE T D A H :

http://neuronios-saudemental.blogspot.com/2009/09/tdah-transtorno-de-deficit-de-atencao-e.html

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Preconceito no Ambiente Escolar

VEJAM MAIS SOBRE Preconceito no Ambiente Escolar EM : http://www.mid.org.br/index.php/noticias/35-home/46-destaque-03

Pesquisa indica que há 99,3% de preconceito no ambiente escolar
Flávia Albuquerque Agencia Brasil

Pesquisa realizada em 501 escolas públicas de todo o país, baseada em entrevistas com mais de 18,5 mil alunos, pais e mães, diretores, professores e funcionários, revelou que 99,3% dessas pessoas demonstram algum tipo de preconceito étnico-racial, socioeconômico, com relação a portadores de necessidades especiais, gênero, geração, orientação sexual ou territorial. O estudo, divulgado hoje (17), em São Paulo, e pioneiro no Brasil, foi realizado com o objetivo de dar subsídios para a criação de ações que transformem a escola em um ambiente de promoção da diversidade e do respeito às diferenças.

De acordo com a pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 96,5% dos entrevistados têm preconceito com relação a portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero, 91% de geração, 87,5% socioeconômico, 87,3% com relação à orientação sexual e 75,95% têm preconceito territorial.

Segundo o coordenador do trabalho, José Afonso Mazzon, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), a pesquisa conclui que as escolas são ambientes onde o preconceito é bastante disseminado entre todos os atores. ?Não existe alguém que tenha preconceito em relação a uma área e não tenha em relação a outra. A maior parte das pessoas tem de três a cinco áreas de preconceito. O fato de todo indivíduo ser preconceituoso é generalizada e preocupante?, disse.

Com relação à intensidade do preconceito, o estudo avaliou que 38,2% têm mais preconceito com relação ao gênero e que isso parte do homem com relação à mulher. Com relação à geração (idade), 37,9% têm preconceito principalmente com relação aos idosos. A intensidade da atitude preconceituosa chega a 32,4% quando se trata de portadores de necessidades especiais e fica em 26,1% com relação à orientação sexual, 25,1% quando se trata de diferença socioeconômica, 22,9% étnico-racial e 20,65% territorial.

O estudo indica ainda que 99,9% dos entrevistados desejam manter distância de algum grupo social. Os deficientes mentais são os que sofrem maior preconceito com 98,9% das pessoas com algum nível de distância social, seguido pelos homossexuais com 98,9%, ciganos (97,3%), deficientes físicos (96,2%), índios (95,3%), pobres (94,9%), moradores da periferia ou de favelas (94,6%), moradores da área rural (91,1%) e negros (90,9%).

De acordo com o diretor de Estudos e Acompanhamentos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação (MEC), Daniel Chimenez, o resultado desse estudo será analisado detalhadamente uma vez que o MEC já demonstrou preocupação com o tema e com a necessidade de melhorar o ambiente escolar e de ampliar ações de respeito à diversidade