MURDERBALL : QUANDO AS CADEIRAS DE RODAS SE CHOCAM... EM NÓS
http://infoativodefnet.blogspot.com/2010/06/murderball-quando-as-cadeirasde-rodas.html
Imagem publicada - cartaz do Filme Murderball com o protagonista Mark Zupan, um jovem norteamericano, paraplégico em sua cadeira de rodas especial, com a bola deste jogo, que é o rugby em cadeiras de rodas, hoje um esporte paraolímpico, e que faz parte do documentario como um dos seus principais protagonistas, revelando ao mundo de não deficientes as potencialidades e habilidades imensas de quem aprende a superar quaisquer barreiras ou preconceitos.
Eu confirmo que tenho um prazer enorme em assistir a documentários, e sei que muitos não gostam de seu estímulo realista e, muitas vezes,chocante. Há alguns que conseguem além de chocar nos clamar por uma reflexão, para além do lugar de meros espectadores. Porém se chocar nossas consciências que se encontram adormecidas , no momento, pelos muitos meios de comunicação de massa voltados para um único esporte global: o futebol, já conseguirá nos lembrar de outras singularidades. Em tempos reality shows, convido aos meus leitores a nos chocarmos, em cadeiras de rodas, com um documentário onde há intensidade, afeto, agressividade, amizade e sexualidade em corpos ditos deficientes.
Vi um documentário de 2005, muito comentado no Festival de Sundance: Murderball, onde empolgou o público, ao conquistar mais este prêmio. É um documentário sobre a vida e as muitas emoções vivenciadas por jovens atletas de rugby sobre cadeiras de rodas. O filme traz as disputas baseadas no mundo dos paraplégicos paraolímpicos e suas muitas 'humanidades', algumas por deficiências adquiridas na adolescência e outras vividas desde a infância.
Tive muitas sensações com este documentário devido à minha atual identificação projetiva com a perda de mobilidade, assim como com as mudanças que isso exerce no nosso inconsciente e no corpo. Pude ver como estes atletas utilizam suas cadeiras de rodas e seu próprios corpos para se manterem buscando outro sentido para suas vidas, para além de suas perdas. Eles demonstram as suas fragilidades também, mas se tornam mais fortes pelo sentido de grupalidade e amizade que seus times de rugbi acabam gerando.
Murderball é o nome original de um esporte de contato, de 'full contact', ou seja os atletas devem se esforçar ao máximo para agressivamente derrubar outros oponentes, pela posse da bola em jogo. Hoje é chamado de 'quad rugby' e o documentário nos mostra duas equipes, uma norte-americana e outra canadense, disputando árduamente o caminho para as Paraolimpíadas de 2004 na Grécia.
Há um protagonista do documentário que nos afeta por sua determinação e desejo de vida, pois em seu acidente, após intensa embriaguez alcóolica e ficar por 13 horas aguardando socorro, nos fala da necessidade de resistir e de transmitir ao máximo esta determinação de sobreviver, vencer e ultrapassar barreiras. Ele tem um amigo que estava com ele no acidente, que é importante por sua revelação de como muitos se sentem diante de alguém com uma deficiência: com uma culpa mais imobilizante do que uma cadeira de rodas.
O tema da sexualidade&deficiências já está em evidência em nossos recentes lançamentos de livros, ou nos debates como o que virá sobre AIDS e deficiência, com um seminário sobre o tema, ver indicações abaixo. Este tema é uma das transversalidades em Murdeball. Não há nem glamour nem mistificação, com uma abordagem simples e até didática, como a exibição do reaprendizado do autoerotismo e da busca de um novo olhar sobre o próprio corpo de quem está em cadeiras de rodas. Há momentos de humor e total descontração nessa visão do que algumas mulheres perguntam aos cadeirantes logo nos primeiros contatos.
Em tempos de futebol global, para este fim de semana verde-amarelo, com muitas surpresas a vivenciar, recomendo uma pausa para a reflexão sobre o mundo do 'paradesportos', assistam Murderball, a bola assassina de nossos corposementes anestesiados... Pois, como diz um dos paraplégicos: - "não tem nada a ver com Olimpiadas Especiais..", que ainda, no processo de mudança de paradigmas, se destina aos que são considerados "deficientes intelectuais (mentais)", que podem e deverão ser parte ainda das "Olimpíadas", rompendo, no futuro, com o modelo idealizado de jogos de competição e liderança apenas para os corposementes perfeitos e válidos.
Aí, possivelmente, teremos a ruptura e a mudança de um paradigma segregante e excludente, dentro e fora, dos campos, das quadras, das piscinas ou das pistas de atletismo, como Jesse Owens o fez em 1938 ao ganhar medalhas de ouro dentro de uma pista de atletismo cheia de suásticas nazistas. Este atleta norteamericano e negro, obrigou a Hitler se curvar diante de uma realidade, qual um documentário, que rompeu com o ideal de homem ariano do nacional-socialismo. Mas mesmo medalhista de ouro ele não foi cumprimentado, na volta a seu país, os Estados Unidos, por seu presidente cadeirante, Franklin Delano Rossevelt.
Ele ainda continuava sendo segregado, incluído na idéia de raça. Ele, embora tornado um herói do Olimpo, compunham uma massa humana "diferente", sim como os outros negros do Alabama, que permaneciam como vidas nuas e cobaias para uma experiência grotesta: serem mantidos com sífilis não tradada para uma pesquisa científica sobre a evolução da doença. Estes tempos dos anos 30 duraram até os anos 70, quando o Estudo Tuskegee sobre sífilis ( 1932 - 1972) foi denunciado na mídia. Eis a encruzilhada entre a biopolítica, o biopoder e a bioética em todos os seus campos ou quadras.
Murderball, nascido nos anos 70 como um jogo agressivo e violento, onde cadeiras de rodas feitas especialmente para se chocarem, tornou-se o rugby em cadeiras de rodas das Paraolimpíadas. Nossos outros jogos do Olimpo, se nos tornarem menos semi-deuses, em busca da nova suavidade até no choque entre nossas "cadeiras imóveis das emoções e das paixões", hoje e no futuro, talvez se choquem com nossos pre-conceitos. Murdeball é uma boa opção para quem quiser reflexão, emoção, esporte e desejo de mudança de paradigmas, não sendo apenas mais um documentário sobre pessoas com deficiência física.
copyright jorgemarciopereiradeandrade 2010-2011 (favor citar a fonte e o autores, assim como obras citadas abaixo em republicação e difusãos livre pela Internet ou outros meios de comunicação)
DOCUMENTÁRIO - MURDERBALL (paixão e glória) - Direção:Henry Alex Rubin e Dana Adam Shapiro 2005 (EUA)
http://cinema2007.wordpress.com/2007/04/26/murderball-paixao-e-gloria/
Indicações de leitura :
Na Minha Cadeira ou na Sua? - Juliana Carvalho
http://www.deficientefisico.com/critica-do-livro-na-minha-cadeira-ou-na-tua/
Ética na Pesquisa - experiência de treinamento em países sul-africanos - Débora Diniz, Dirce Guillem, Ude Schuklenk (Eds.) - Letras Vivas & UNB - Brasília, 2005. (pág.76)
Seminário: “Ações e reflexões sobre Aids e deficiência: diferentes vozes” - 23 e 24 de junho de 201
As inscrições devem ser feitas até 18 de junho, no site da APAE SP: www.apaesp.org.br
JESSE OWENS ( http://www.museudosesportes.com.br/noticia.php?id=11236 )
Postado por Jorge Márcio
Blog do Prof de Ed. Física MSc SERGIO CASTRO,da Pós Graduação em Educação Especial e Tecnologia Assistiva da Universidade Cândido Mendes(AVM) ;Ex-professor da Universidade Estácio de Sá e Ex-Coordenador de Esportes para Pessoas com Deficiências (PcD) do Projeto RIO 2016 da SEEL RJ ,destinado a fornecer informações sobre pessoas com deficiência(PcD) e com Necessidades Educativas Especiais(PNEE), bem como a pessoas interessadas nesta área ( estudantes, pais, parentes, amigos e pesquisadores)
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sábado, 14 de agosto de 2010
sábado, 26 de dezembro de 2009
ESPORTES PARA QUADRIPLEGICOS - MURDERBALL - CRITICA AO FILME

Celso Sabadin
Quando ouvi pela primeira vez a palavra Murderball , pensei imediatamente no filme Rollerball , com James Caan, uma antiga ficção (que depois ganhou uma refilmagem pífia) sobre um esporte radical que, no futuro, ajudaria os travados homens urbanos a extrapolarem toda a sua adrenalina por meio da violência.
Quando comecei a ver o filme Murderball – Paixão e Glória , percebi que estava enganado.
Mas, quando acabei de vê-lo, notei que não estava tão errado assim.
Travestido de “responsabilidade social” (ô expressão desgastada ultimamente!), o chamado Quad-Rugby , a princípio, seria apenas um esporte desenvolvido para atletas quadriplégicos, isto é, quem tem algum tipo de paralisia nos membros superiores e inferiores.
Uma mistura de rúgbi e basquete jogado em cadeiras de rodas.
Porém, o documentário Murderball – Paixão e Glória mostra que estamos diante de um esporte radical que ajuda os travados homens urbanos a extrapolarem toda a sua adrenalina por meio da violência.
E agora não no futuro.
O filme mostra o cotidiano, as lutas, as vitórias e decepções de um grupo de “quadri-rugbistas” que compete pelo time norte-americano nas Paraolimpíadas. Num primeiro momento, temos aquele velho, batido (e, claro, real) discurso que o deficiente físico é uma pessoa igual a outra qualquer, capaz das mais variadas tarefas no dia-a-dia, etc.
Perfeito.
Porém, quanto mais o filme avança, mais vão ficando claras a ira e a revolta que moram dentro de vários daqueles atletas.
Um deles é extremamente cruel com o próprio filho.
Outro não aceita sua condição.
Outro usa o jogo como uma verdadeira arma.
Enfim, as competições de Quad-Rugby assumem pouco a pouco as proporções de um microcosmo da própria identidade norte-americana: bélica por natureza.
Guerreira, no péssimo sentido da palavra.
Filmado em ginásios norte-americanos e nas recentes Paraolimpíadas de Atenas, Murderball – Paixão e Glória fala destes homens que, seja por acidente de carro, briga, tiro ou doença, foram forçados a viver presos a uma cadeira de rodas.
Mas não perderam suas características essenciais por isso.
Para o bem e para o mal.
O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário de 2005, ganhou prêmios do público e Especial do Júri no Sundance Film Festival, além de outras premiações em Seattle e Londres.
Tecnologia digital deve ficar mais humana
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Por Rafael Cabral
São Paulo, 02 (AE) - 147.456 processadores, 143 terabytes de memória, 6.675 toneladas de aparelhos de ar condicionado, milhões de watts de energia elétrica e quase 4 mil metros quadrados de área. É esse o tamanho do maior cérebro artificial do mundo, construído no laboratório de inovação IBM, na Califórnia.
Os números podem impressionar, mas o Blue Gene/P consegue simular apenas o cérebro de um gato (e, ainda assim, de forma simplificada). Os robôs ainda passam longe da mente humana: o supercomputador não consegue imitar nem 1% dela. É, robôs ainda têm um bocado para aprender.
A maior dificuldade em um projeto de engenharia reversa do córtex é também a mais óbvia: como reconstruir algo que não sabemos ao certo como funciona? Fundindo as máquinas mais velozes do mundo à nanotecnologia e à neurociência, as simulações, hoje, não passam de aproximações. Rascunhos que, como no tal cérebro mecânico do gato, ignoram estruturas e conexões do órgão real.
"A capacidade computacional da mente é absurda. Por isso, criamos um modelo para tentar entendê-la", defende-se o cientista indiano Dharmendra Modha, chefe do setor de computação cognitiva da IBM e criador do projeto. Para ele, "o cérebro é um paradigma", pois "consegue sentir, perceber, interagir, lidar com ambiguidade e entender contextos" e, mesmo assim, "usar menos energia do que uma lâmpada e ocupar um espaço mínimo".
TECNOLOGIA COMO CIÊNCIA
Impensável antes da descoberta da estrutura do DNA, em 1953, a compreensão da mente em termos biológicos é o principal desafio da ciência do século 21. É a possibilidade de entender, finalmente, os caminhos da aprendizagem, da percepção, das lembranças e da consciência, e também a fronteira do livre-arbítrio (afinal, a mente também tem lá seus limites).
Mas e a meta da tecnologia, qual é? Ao que tudo indica, é tentar seguir esses mesmos passos. Mesmo com poder de arquivamento enorme, as máquinas ainda são incapazes de fazer o feijão-com-arroz da mente: pensar, sentir, adaptar-se.
"Não há máquina que tenha visão crítica e ativa da realidade, que generalize e entenda contextos. A nova computação deve evoluir imitando o cérebro", decreta Miguel Nicolelis, chefe do setor de neurociência da Universidade de Duke. O futuro da tecnologia artificial é se tornar um pouco mais humana.
HOMEM-ROBÔ
Se você pensou em um ciborgue retrô da ficção científica, tão dominado pela tecnologia que perdeu a humanidade, esqueça-o. As interfaces homem-robô há tempos já saíram da imaginação dos escritores para entrar na realidade de pesquisadores.
Os projetos são inúmeros e promissores. Vão de ideias úteis, como uma cadeira de rodas que permite que pessoas paralisadas a controlem apenas com o pensamento, da Toyota, até aparentes besteiras, como um capacete que transforma impulsos cerebrais em tweets (apenas aparente, porque pode significar um avanço para pessoas paralisadas com atividade mental perfeita).
O próprio Miguel Nicolelis confia na integração mente-máquina para seu projeto mais ambicioso: levar impulsos cerebrais de quadriplégicos a uma estrutura robótica e devolver-lhes o movimento.
Até o consumo deve ser afetado, como mostra uma pesquisa do Intel Labs, de Pittsburgh, que tem o objetivo de "ensinar as máquinas a entender um algoritmo daquilo que pensamos", nas palavras do cientista Dean Pomerleau, cabeça do projeto. A intenção é que, a partir disso, sejam desenvolvidas "interfaces mais ricas que as de hoje", que seriam controladas sem dispositivos.
Aposentar controle remoto, mouse e teclado, além de dar uma esperança para quem perdeu os movimentos, são só algumas das promessas dessa área que não sabe mais se é ciência ou tecnologia (e nem precisa mais).
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