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ResumoIntrodução: a análise do brincar é um instrumento diagnóstico fundamental na infância.
Diversos estudos têm hipotetizado que o comprometimento do desenvolvimento de linguagem da criança autista poderia ser explicado por falhas na imaginação e na capacidade simbólica.
Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a atividade lúdica de portadores de autismo infantil. Material e método: a amostra constituiu-se de 11 crianças autistas, de 3 a 6 anos, de ambos os sexos. Utilizamos os critérios propostos por Wetherby e Prutting (1984) e comparamos o desempenho lúdico em duas situações de observação distintas: livre e dirigida. Resultados: verificamos 91,67% de uso do critério sensório-motor,nas duas situações investigadas.
Houve diferença estatisticamente significante, com melhor desempenho em situação dirigida, nos critérios agrupamento, formação de conjunto, funcionalidade e jogo compartilhado.
Obtivemos 0% de uso do critério jogo simbólico, em ambas as situações. Conclusões: o procedimento adotado permitiu descrever a atividade lúdica do grupo de crianças com autismo, como caracteristicamente sensório-motora. No entanto, também se observou que a mediação do adultoavaliador,por meio de modelo e incentivo, levou a criança a explorar novas formas de brincar. Essas descrições sugerem que a análise do jogo da criança portadora de autismo, com participação ativa do profissional, pode levar à descrição de seu modo e prognóstico da comunicação.
IntroduçãoAs características de comunicação das crianças com autismo vêm sendo estudadas desde Kanner (1943), em seus meios de expressão e de recepção
tanto verbal, quanto não-verbal.
Autores como Wetherby e Prutting (1984);Tamanaha e Scheuer (1995); Tamanaha (2000);
Fernandes (2000); Charman et al. (2003), Jarrold (2003), Holguín (2003); Lewis (2003), Morgan, Maybery e Durkin (2003), Perissinoto (2003); Schuler (2003); Barrett, Prior e Manjiviona (2004) detiveram-se na descrição das peculiaridades da
linguagem dessas crianças e hipotetizaram que o comprometimento em seu desenvolvimento da linguagem poderia ser explicado por falhas na imaginação
e na capacidade simbólica.
Tanto na classificação de doenças proposta pela Organização Mundial de Saúde, o CID 10 (1998),quanto no manu al diagnóstico da American Psychiatric Association, DSM IV tr (2001), observa-se a atenção dada à análise das alterações ou ausência do jogo e da atividade imaginativa, como critérios diagnósticos fundamentais para o autismo
infantil.
Baron Cohen, Leslie e Frith (1985) enfatizaram
a relação entre os prejuízos sociais e de comunicação
e as falhas cognitivas presentes em portadores
de autismo infantil. Esses indivíduos demonstram
dificuldade acentuada na capacidade simbólica,
o que os impede de estabelecer habilidades de
reciprocidade social.
Acreditando que na construção da linguagem
a capacidade de representação mental é fundamental,
sendo essencial até mesmo para a aquisição da
palavra, este estudo teve como objetivo avaliar a
atividade lúdica de crianças portadoras de autismo
infantil.
Partindo da hipótese de que a criança com autismo,sob o olhar da abordagem cognitivista, tem características peculiares na atividade lúdica e que
estas podem ser identificadas, buscamos comparar o desempenho lúdico em duas situações de observação distintas: livre e dirigida, a fim de delinearmos as diferenças existentes quando da ausência ou presença do adulto como tutor das
explorações lúdicas compartilhadas.