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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Deficiência mental ou deficiência intelectual?

Deficiência mental ou deficiência intelectual?


Solucione sua dúvida e entenda a posição do Instituto Indianópolis


http://www.indianopolis.com.br/si/site/1163



À medida que o movimento inclusivo se espalha pelo mundo, palavras e conceituações mais apropriadas ao atual patamar de valorização dos seres humanos estão sendo incorporadas ao discurso dos ativistas de direitos, por exemplo, dos campos da deficiência e da saúde mental.

O termo que se adotou à utilização recente é deficiência intelectual, porém o Instituto Indianópolis mantém o termo deficiência mental em seu site e em sua comunicação, devido ao grande conhecimento e uso deste por parte da população.



Com o objetivo de auxiliar pais, profissionais e estudantes na área de deficiência mental e autismo, optamos por facilitar o encontro de informações na Internet. Desta forma, faz-se necessário utilizar a terminologia que tem um maior conhecimento.



O uso do termo deficiência mental é considerado correto no campo de deficiência. Apenas como outros termos da ciência são adaptados de acordo com as necessidades da sociedade.



Com a responsabilidade de fornecer informações corretas a todos os interessados no assunto Deficiência Mental/Intelectual, ressaltamos que a utilização da nova terminologia acompanhará as necessidades de nossos usuários. Desta forma, disponibilizamos este artigo com informações sobre a atualização semântica, para maior entendimento do processo de mudança.



Agradecemos a compreensão de todos.



Um abraço,

Coordenação do Instituto Indianópolis





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Artigo - Atualizações semânticas na inclusão de pessoas: deficiência mental ou intelectual?



Considere, em primeiro lugar, a questão do vocábulo deficiência. Sem dúvida alguma, a tradução correta das palavras (respectivamente, em inglês e espanhol) "disability" e “discapacidad" para o português falado e escrito no Brasil deve ser deficiência. Esta palavra permanece no universo vocabular tanto do movimento das pessoas com deficiência como dos campos da reabilitação e da educação. Trata-se de uma realidade terminológica histórica. Ela denota uma condição da pessoa resultante de um impedimento (“impairment”, em inglês). Exemplos de impedimento: lesão no aparelho visual ou auditivo, falta de uma parte do corpo, déficit intelectual. O termo “impairment” pode, então, ser traduzido como impedimento, limitação, perda ou anormalidade numa parte (isto é, estrutura) do corpo humano ou numa função (isto é, funções fisiológicas) do corpo, de acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Deficiência e Saúde (CIF), aprovada pela 54ª Assembléia da Organização Mundial da Saúde em 22 de maio de 2001. Segundo a CIF, as funções fisiológicas incluem funções mentais. O termo anormalidade é utilizado na CIF estritamente para se referir a uma variação significativa das normas estatísticas estabelecidas (isto é, como um desvio da média da população dentro de normas mensuradas) e ele deve ser utilizado somente neste sentido.



O conceito de deficiência não pode ser confundido com o de incapacidade, palavra que é uma tradução, também histórica, do termo "handicap". O conceito de incapacidade denota um estado negativo de funcionamento da pessoa, resultante do ambiente humano e físico inadequado ou inacessível, e não um tipo de condição. Exemplos: a incapacidade de uma pessoa cega para ler textos que não estejam em braile, a incapacidade de uma pessoa com baixa visão para ler textos impressos em letras miúdas, a incapacidade de uma pessoa em cadeira de rodas para subir degraus, a incapacidade de uma pessoa com deficiência mental/intelectual para entender explicações conceituais, a incapacidade de uma pessoa surda para captar ruídos e falas. Configura-se, assim, a situação de desvantagem imposta às pessoas COM deficiência através daqueles fatores ambientais que não constituem barreiras para as pessoas SEM deficiência.



Formalmente, devemos manter a palavra deficiência no singular. Por exemplo: pessoas com deficiência visual (e não pessoas com deficiências visuais). Outro exemplo: pessoas com deficiência intelectual (e não pessoas com deficiências intelectuais). É importante flexionarmos no singular ao nos referirmos à deficiência e/ou ao tipo de deficiência, independentemente de, no idioma inglês, ser utilizado o plural ("persons with disabilities", "persons with intellectual disabilities") ou o singular ("persons with a disability", "persons with an intellectual disability"). Assim, é incorreto escrevermos, por exemplo: "Fulano tem deficiências intelectuais", "Sicrano é uma pessoa com deficiências físicas", "Beltrano é um aluno com deficiências visuais".



Agora, um comentário sobre os vocábulos deficiência mental e deficiência intelectual. Ao longo da história, muitos conceitos existiram e a pessoa com esta deficiência já foi chamada, nos círculos acadêmicos, por vários nomes. Mas, atualmente, quanto ao nome da condição, há uma tendência mundial (brasileira também) de se usar o termo deficiência intelectual.



A primeira razão tem a ver com o fenômeno propriamente dito. Ou seja, é mais apropriado o termo intelectual por referir-se ao funcionamento do intelecto especificamente e não ao funcionamento da mente como um todo.



A segunda razão consiste em podermos melhor distinguir entre deficiência mental e doença mental, dois termos que têm gerado confusão há vários séculos. “O primeiro passo no estudo independente da condição da deficiência mental” ocorreu no início do século 19, quando se estabeleceu “a diferenciação entre a idiotia e a loucura”. Há cinco décadas, especialistas se preocupam em explicar a diferença que existe entre os fenômenos deficiência mental e doença mental, pois são termos parecidos, que muita gente pensa significarem a mesma coisa. Então, em boa hora, vamos separar os dois construtos científicos. Também no campo da saúde mental (área psiquiátrica), está ocorrendo uma mudança terminológica significativa, que substitui o termo doença mental por transtorno mental. Permanece, sim, o adjetivo mental (o que é correto), mas o grande avanço científico foi a mudança para transtorno. Em 2001, o Governo Federal brasileiro publicou uma “lei sobre os direitos das pessoas com transtorno mental” (Lei n. 10.216, de 6/4/01), na qual foi utilizada exclusivamente a expressão transtorno mental. Aqui também se aplica o critério do número: pessoa(s) com transtorno mental e não pessoa(s) com transtornos mentais, mesmo que existam várias formas de transtorno mental. Segundo especialistas, o transtorno mental pode ocorrer em 20% ou até 30% dos casos de deficiência mental/intelectual, configurando-se aqui um exemplo de deficiência múltipla.



Hoje em dia cada vez mais se está substituindo o adjetivo mental por intelectual. A Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde realizaram um evento (no qual o Brasil participou) em Montreal, Canadá, em outubro de 2004, evento esse que aprovou o documento DECLARAÇÃO DE MONTREAL SOBRE DEFICIÊNCIA INTELECTUAL. (Observe-se que o termo intelectual foi utilizado também em francês e inglês: Déclaration de Montreal sur la Déficiénce Intelectuelle, Montreal Declaration on Intellectual Disability).



A expressão deficiência intelectual foi oficialmente utilizada já em 1995, quando a Organização das Nações Unidas (juntamente com The National Institute of Child Health and Human Development, The Joseph P. Kennedy, Jr. Foundation, e The 1995 Special Olympics World Games) realizou em Nova York o simpósio chamado INTELLECTUAL DISABILITY: PROGRAMS, POLICIES, AND PLANNING FOR THE FUTURE (Deficiência Intelectual: Programas, Políticas e Planejamento para o Futuro).



A propósito, uma influente organização espanhola mudou seu nome, conforme notícia publicada em 2002: “Espanha - Resolução exige a substituição do termo deficiência mental por deficiência intelectual. A Confederação Espanhola para Pessoas com Deficiência Mental aprovou por unanimidade uma resolução substituindo a expressão “deficiência mental” por “deficiência intelectual”. Isto significa que agora a Confederação passa a ser chamada Confederação Espanhola para Pessoas com Deficiência Intelectual (Confederación Española de Organizaciones en favor de Personas con Discapacidad Intelectual). Esta organização aprovou também o novo Plano Estratégico de quatro anos para melhorar a qualidade de vida, o apoio institucional e os esforços de inclusão para pessoas com deficiência intelectual” (in Digital Disnnet Press Agency, Digital Solidarity, n° 535, Bogotá, 3/12/02).









Fonte: Revista Nacional de Reabilitação
Romeu Kazumi Sassaki

Consultor e autor de livros sobre inclusão social



Texto adaptado para divulgação no site do Instituto Indianópolis.





Outros artigos sobre deficiência mental (intelectual) e autismo

Diferença entre deficiência mental e doença mental



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sábado, 21 de novembro de 2009

Glossário: informações úteis sobre deficiência mental e autismo

No dia a dia dos consultórios, os pais ouvem uma série de termos, para tentar esclarecer alguns deles, veja o pequeno glossário a seguir:

Afasia:diz-se da falta de fala e comunicação

Anamnese: entrevista que o médico ou terapeuta faz para saber mais sobre o paciente, uma anamnese pode incluir ainda dados sobre gestação, parto, ambiente em que vive e dependendo do médico e da linha seguida pode durar uma hora. Esta anamnese servirá de base para o médico.

Anoxia: falta de oxigênio no cérebro, usada normalmente com o termo neonatal, anoxia neonatal = falta de oxigênio na hora da nascimento.

Anti-convulsivos: medicação que tenta inibir o processo de convulsões epiléticas. Os mais utilizados são: fenobarbital, ácido valpróico e etc. Os nomes comerciais variam muito. Ex: Gardenal, Rivotril, Depakene, Maliasin... O uso destes medicamentos leva a dependência, existem controvérsias a cerca de sua viabilidade. São receitados por neurologistas e psiquiatras, com retenção da receita. De qualquer forma, o uso deve ser rigorosamente acompanhado pelo médico.

Apatia: (do Latin apthia + Gr. apátheia) insensibilidade; indiferença; impassibilidade; inércia; marasmo.

Atrofia: diminuição ou definhamento de uma célula, músculo ou órgão, no todo ou em parte.

Audiometria: exame realizado por fonoaudiólogos em que se avalia a audição do paciente, em ambos os ouvidos.Depende da colaboração e participação do mesmo.

Audiometria Comportamental: semelhante ao anterior, porém o fonoaudiólogo não conta com a participação ativa do paciente, neste caso depende da observação dele. Raramente funciona com autistas. Mesmo nos demais casos, não costuma ser conclusivo.

Autismo: distúrbio de ordem neurológica que afeta o indivíduo em vários aspectos e principalmente a comunicação.

Em muitos casos apresenta retardo mental e epilepsia associada. Possui vários espectros (variantes) e sua causa ainda é desconhecida. Veja mais no link definição.

AVD ou Atividades da Vida Diária: normalmente avaliam o paciente para ver qual o nível de AVD que ele exerce sozinho, por exemplo, escovar os dentes, comer, beber, ir ao banheiro, vestir, tomar banho. O objetivo sempre será estimular o maior índice possível de AVD.

Bera: exame que avalia como o cérebro reage aos sons, o paciente fica deitado, com vários fiozinhos ligados e não depende de sua colaboração.

O aparelho mostra as reações do cérebro, independente da colaboração do paciente. Usado para detectar níveis de audição em autistas e portadores de DPAC (distúrbio de processamento auditivo central).


Cognitivo: termo empregado para definir o aprendizado, conhecimento, diz-se: qual o nível de cognitivo, ou o cognitivo está afetado (capacidade de aprendizado e compreensão afetados).

Congênito:(nascido com o indivíduo, popular=de nascença) termo utilizado pela classe médicaquando não há uma resposta clara e não se consegue chegar a um diagnóstico.

DPAC (Distúrbio de Processamento Auditivo Central): recentemente classificado, este distúrbio mostra que algumas pessoas tem reações diferentes aos sons.
Uma pessoa com DPAC pode ter extrema sensibilidade para alguns sons (como se ouvisse demais) e aparente surdez para outros.

Ecolalia:ato de repetir palavras ou frases, sem observar o sentido, geralmente repetindo até a entonação ouvida.

EEG (Eletroencefalograma): o paciente (sedado ou não) fica com uma série de fios com sensores colados na região da cabeça e através do aparelho um gráfico mostra o ritmo das ondas cerebrais, impresso num papel. O resultado impresso é então interpretado pelo neurologista ou psiquiatra e determina se há e qual o tipo de epilepsia ou outra disfunção.

Epilepsia: distúrbio do SNC (Sistema Nervoso Central) que tem vários tipos, causando convulsões (ataque epilético) ou ausências (pequenos desligamentos); atualmente dividida em várias categorias, em alguns casos pode ser tratada com cirurgia.

Estereotipia: este termo é empregado para definir movimentos repetitivos que muitos autistas usam. Normalmente chamados movimentos estereotipados. Ex: girar rodas, balançar o corpo, bater as mãos etc.

Fenilcetonúria: deficiência em absorver fenilanina, pode provocar retardo mental. Detecta-se com exame realizado com uma gota de sangue do pezinho do recém nascido (também conhecido como "teste do pezinho"). Atualmente é obrigatório no Brasil.

Hemiplegia: distúrbio causado por lesão cerebral que paralisa ou dificulta um lado inteiro do corpo.

Hipertonia:(-hiper = alto, muito, tonia = tônus), significa alto tônus muscular, rigidez.

Hipotonia: (-hipo=baixo, pouco, tonia=tônus), significa baixa tonicidade muscular, flacidez.

Isolamento: isolação; estado de quem está isolado; solidão.

Isolar: (do It. isolare): tornar solitário; separar; deixar só; separar-se; não conviver.

ITA(Imuno Terapia Ativada): técnica de tratamento que se utiliza de processos imunológicos, combatendo alergias, das mais comuns às menos conhecidas, como as do SNC.

Legível: no jargão clínico, um paciente/aluno é ou não legível para o trabalho de uma instituição ou escola pelo seu nível de desenvolvimento. No caso de escolas, elas podem estar estruturadas para crianças mais independentes,ou usar métodos de ensino que ainda não se enquadram a criança, ou a criança estar acima dos trabalhos realizados.

Mineralograma: exame usado pelos médicos Ortomoleculares para determinar o nível de metais pesados no organismo. É feito a partir de alguns fios de cabelo da região da nuca.

Multidiciplinar: termo usado para definir um grupo de profissionais que trabalham em conjunto. Comum nos centros de reabilitação aonde a equipe de fonoaudiologia, pediatria, terapia ocupacional, fisioterapia epsicologia trabalha com um mesmo paciente e discutem técnicas para a melhor evolução do paciente.

Neuropsicomotor: refere-se ao desenvolvimento do sistema nervoso, do aspecto psicológico e do desenvolvimento e coordenação motora, formando os três um conjunto.

PC ou Paralisia Cerebral: termo utilizado para definir pacientes que sofreram falta de oxigênio no cérebro, perdendo parte de suas funções.Também chamados de Encefalopatia cronica não progressiva da infância.

PNE: portador de necessidades especiais.

Psicose: relativo a distúrbios mentais, pode ser em diferentes graus, de leve a grave.

Quelação: tratamento que propõe a desintoxicação do organismo, especialmente em metais pesados, que busca o alívio e ou cura de diversos males da saúde. No Brasil é usado na medicina Ortomolecular.

Reorganização Neurológica: conceito lançado por Temple Fay e Glen Doman, sobre o desenvolvimento, que entende estarem ligados entre si os aspectos de visão, audição, fala, coordenação, motor etc., entendendo que uma falha num ou em demais pontos pode comprometer os demais. O tratamento consiste em repetir os processos de desenvolvimento, a partir do ponto em que houve a falha. Melhor detalhado no livro "O que Fazer pela Criança de Cérebro Lesado".

Ressonância Magnética: exame mais profundo que a tomografia, mas com o mesmo objetivo.

Rotina: seqüência de atos ou procedimentos habituais, caminho já percorrido e conhecido.

Síndrome:conjunto de determinados sintomas, de causa desconhecida ou em estudos, que são classificados geralmente com o nome do cientista que o classificou ou o nome que o cientista lhe atribuir.

Síndrome de Down: deficiência causada por fatores cromossômicos, pode ou não estar associada a outros quadros.

SNC: Sistema Nervoso Central

TDAH:Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.

TID: Transtornos Invasivos do Desenvolvimento.

Tomografia: exame realizado para detectar problemas na formação da região cerebral. Comumente a criança é sedada para realização do exame.

Vegetativo: termo utilizado quando o indivíduo apresenta apenas as funções básicas (cardiorrespiratórias) com ou sem auxílio de aparelhos, não apresentando as demais funções.

Fonte: Autistas.org

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Reflexão para pais de crianças deficientes e autistas
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